Chuva faz Rio testar sistema de alerta

Alarmes para o risco de desabamento soaram em 11 favelas; uma pessoa morreu afogada

Pedro Dantas / RIO,

27 de abril de 2011 | 00h37

O sistema de sirenes de alerta para o risco de desabamentos em favelas cariocas, instalado em janeiro, foi acionado pela primeira vez na noite de segunda-feira, quando, em poucas horas, o Rio recebeu o dobro da chuva esperada para todo o mês. Os alarmes soaram em 11 favelas, logo após a cidade entrar em "estágio de alerta", caracterizado por chuva forte com risco de alagamentos e deslizamentos.

Muitos moradores, no entanto, preferiram permanecer em suas casas, o que levou o prefeito Eduardo Paes (PMDB) a admitir que o funcionamento do sistema ainda não é ideal. Ele fez um apelo: "É importante que as pessoas acreditem nas sirenes, elas são feitas para salvar vidas."

A prefeitura do Rio informou que 70 pessoas recorreram aos pontos de apoio que acolhem os moradores até que o risco de desabamento seja descartado. Foram registrados pequenos deslizamentos, sem feridos, nas comunidades JK, Borel, Andaraí e Chacrinha, na região da Tijuca, zona norte. Em toda a cidade, ruas e praças ficaram alagadas.

A Defesa Civil do Rio registrou mais de 200 chamadas. Na Estrada Grajaú-Jacarepaguá, uma pedra de 600 toneladas despencou de uma barreira e atingiu a frente do carro de Inês Carolina Gomes, de 24 anos, que conseguiu frear e sobreviveu. O bloco de rocha recebeu duas cargas de explosivos para ser desfeito. A via continuava interditada nos dois sentidos até o início da noite de ontem. O nível da água na Lagoa Rodrigo de Freitas, ponto turístico da zona sul carioca, ficou acima do normal, mas não transbordou.

Na região da Tijuca, a mais afetada pela chuva, um homem morreu afogado na Praça da Bandeira, onde a inundação atingiu também todas as ruas próximas. Passagem obrigatória para quem vem da zona sul ou do centro e se dirige ao Estádio do Maracanã, palco principal da Copa de 2014, a praça convive desde a década de 1940 com inundações. Anteontem, carros foram levados pela correnteza e passageiros de ônibus tiveram de ser resgatados por uma grua do Corpo de Bombeiros. No Morro da Formiga uma casa desabou, sem deixar feridos.

Estorvo histórico. O governador Sérgio Cabral (PMDB) definiu as enchentes na região como um "estorvo histórico do Rio". Obras de macrodrenagem na Praça da Bandeira foram incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2), orçadas em R$ 300 milhões. Devem levar, porém, cerca de três anos.

"São três rios: Trapicheiro, Joana e Maracanã. É uma região crítica, baixa, que vai dar no Canal do Mangue. Temos o projeto da construção de piscinões para desvio dos rios, mas não é uma obra rápida. A gente ainda deve sofrer algum tempo", reconheceu o prefeito Eduardo Paes.

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