Chuva faz o Córrego Ipiranga transbordar

Apesar de forte, a precipitação não atingiu toda a cidade; massa de ar polar rompeu o bloqueio atmosférico e as temperaturas devem cair

José Maria Tomazela e Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2014 | 23h11

A chuva que atingiu São Paulo no fim da tarde desta quinta-feira, 13, causou o transbordamento do Córrego Ipiranga e queda de granizo na Saúde e Vila Nova Conceição, na zona sul. Uma van ficou ilhada na Avenida Ricardo Jafet e teve de ser rebocada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Apesar de forte, a precipitação não atingiu toda a cidade, o que mantém a data de 24 de janeiro como o último dia em que choveu de forma generalizada na capital. Nesse dia, foram registrados 27 pontos de alagamento - ontem, foram sete.

A marca, no entanto, pode ser quebrada em breve. "A entrada de uma massa de ar polar está rompendo o bloqueio atmosférico que atingiu o Centro-Sul do Brasil neste início de ano. Isso significa que outras frentes poderão avançar e as pancadas cairão com mais regularidade", diz Josélia Pegorim, meteorologista da Climatempo.

Os dias, a partir de amanhã, deverão ter temperaturas mais amenas. "Os paulistanos vão sair de dias muito quentes para mornos", diz Josélia. Segundo ela, as temperaturas máximas devem ficar abaixo de 30°C, o que não acontece desde 23 de dezembro.

Abastecimento. Mesmo que as chuvas se intensifiquem a partir deste fim de semana, é improvável que o Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 8,8 milhões de habitantes da Grande São Paulo, volte a índices normais. Nesta quinta-feira, 13, o sistema atingiu o mais baixo volume de armazenado da história: 18,8%. Quase na metade de fevereiro, a pluviometria acumulada é de apenas 2,1 milímetros - a média histórica do mês é de 202,6 mm.

Até as 19h de quinta, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) registrou 3,9 milímetros de chuva no dia.

"O problema da falta de água para geração de energia e abastecimento não será resolvido tão cedo", diz Josélia. "Espera-se que o mês de março tenha chuvas mais volumosas, mas a chuva de um mês não vai recuperar a de três meses", diz a meteorologista se referindo à seca de dezembro, janeiro e deste mês.

Interior. A prefeitura de Salto, na região de Sorocaba, decretou estado de emergência por causa do comprometimento dos mananciais de abastecimento da cidade em decorrência do longo período de estiagem que atinge a região.

A partir de segunda-feira, a distribuição de água aos mais de 100 mil habitantes será racionada. A cidade foi dividida por regiões e o fornecimento será interrompido das 8 às 14 horas em sistema de rodízio. O objetivo é evitar que toda a cidade seja atingida ao mesmo tempo.

Salto é a primeira cidade paulista a decretar emergência em razão da seca. A prefeitura espera evitar o colapso no sistema público de abastecimento.

 

 

 

 

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