Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Chuva espanta frequentadores dos parques no primeiro final de semana de reabertura

Frente fria deixou o tempo chuvoso e provocou queda da temperatura; vagas sobraram no Ibirapuera

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2020 | 12h15

SÃO PAULO - No primeiro final de semana de abertura dos parques municipais e estaduais em São Paulo durante a pandemia, foi registrado um público reduzido, aquém do esperado. De acordo com funcionários e frequentadores, o movimento foi semelhante aos dos dias da semana.

O Estadão visitou cinco parques ao longo deste sábado, 31, nas zonas sul, leste e oeste. Dois fatores principais explicam a baixa frequência nos espaços de lazer que estavam fechados - nos finais de semana - desde março. O primeiro deles foi o feriado. As rodovias do estado de São Paulo apresentam filas desde a manhã deste sábado, na saída para o feriado prolongado de Finados. O outro foi a frente fria que provocou tempo chuvoso e queda de temperatura. No parque do Ibirapuera, o mais famoso da cidade, o início da manhã foi marcado por frequentadores com máscaras, já incorporadas ao cotidiano, e também com bonés, agasalhos e guarda-chuvas. Por volta das 14h30, a garoa fina que caiu no Parque do Carmo, na zona leste, fez a primavera parecer inverno.

A publicitária Marcia Guimarães, de 57 anos, só saiu de sua casa, no Campo Belo, na zona sul, para ir ao Ibirapuera para o passeio com seu cachorro, o Jeremias. Ele foi adotado durante a pandemia. “Esse período de quarentena trouxe novos hábitos. Um deles foi adotar o cachorro, que estava abandonado, e sair para passear com ele. Com esse tempo feio, eu saí só por causa dele”. 

A professora Daniela Monteiro, de 38 anos, não tinha como adiar sua ida ao mesmo parque. Ela se inscreveu em prova virtual de 10 km. Moradora da Chácara Santo Antônio, também na zona sul, ela escolheu o parque para competir contra seus próprios limites. Quando falou com o Estadão, ela estava esbaforida depois de correr por 1 hora, dois minutos e cinquenta segundos. “Eu não tinha como adiar”, afirma a atleta amadora, molhada de chuva e de suor.

Os parques foram fechados no dia 21 de março para prevenção da contaminação pelo novo coronavírus. A primeira fase da reabertura aconteceu em julho, de segunda a sexta e com horário reduzido. Naquele momento, a cidade de São Paulo estava na fase amarela do plano de flexibilização. Em agosto, a prefeitura ampliou o horário de funcionamento, mas manteve as unidades fechadas aos finais de semana. O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou nesta segunda-feira, 26, o retorno ao funcionamento normal. O governador do Estado, João Doria (PSDB), também fez anúncios semelhantes, liberando os parques estaduais.

Por conta da baixa frequência, algumas medidas de prevenção acabaram ficando em segundo plano. Conforme protocolo de reabertura, os parques limitam o acesso de frequentadores a 60% da ocupação. Em função do movimento fraco, não houve controle de entrada no Parque da Água Branca, zona oeste da cidade. No Parque do Carmo, o contator eletrônico da entrada principal não funcionou.

Outra medida que também ficou em segundo plano foi a recomendação aos visitantes de distanciamento de 1,5 metros entre as pessoas. Havia espaço de sobra. Até para os carros. O estacionamento do portão 3 do Ibirapuera, nas proximidades da Avenida Pedro Álvares Cabral, tinha vagas sobrando até o final da manhã em dos um dos espaços mais concorridos do parque.

A abertura aos finais de semana fez os administradores públicos redobrarem os cuidados preventivos. Os banheiros de todos os parques estão sinalizados, alertando sobre a necessidade de distanciamento físico. Funcionários dos bares, restaurantes e até os vendedores ambulantes oferecem álcool em gel, que também é oferecido em pequenos totens, como no Ibirapuera.

Parques abertos aos sábados e domingos representam lazer para as crianças. A perspectiva de sair do apartamento motivou o microempresário Adriano Cartoni a um passeio no Parque Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo. Depois de sete meses de quarentena, ele saiu pela primeira vez com a filha Luana, de dois anos, e a mulher, Daniela, para um dia no parque. “Ela está muito feliz. É uma sensação de liberdade para ela e para nós também”, celebrou. No Ibirapuera, o administrador Rafael Silva, de 38 anos, concorda. “O final de semana é a única chance de sair com os filhos”, avalia. 

Mesmo esvaziados, os parques são mesmo locais especiais. E também podem ser molduras para momentos importantes. Foi por isso que as recém-casadas Francisca da Guia e Karina Souza escolheram o Ibirapuera para um ensaio fotográfico depois da cerimônia civil. Depois de dois anos juntas, elas se casaram neste sábado; a festa é domingo. No gramado ao lado do prédio da Bienal, a babá e a vendedora faziam poses para o fotógrafo Matheus Costa. “A gente escolheu o Ibirapuera pela paisagem. É um lugar lindo para marcar o casamento, resume Francisca.

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