Felipe Rao/ Estadão
Felipe Rao/ Estadão

Após alagamentos e caos no trânsito, CET cancela multas de rodízio em SP

Penalidade aplicada na manhã será cancelada, mas à tarde a restrição está mantida; além da capital paulista, a Baixada Santista também registrou queda de árvores e deslizamentos de terra

Jéssica Otoboni, Renata Okumura e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2019 | 06h25
Atualizado 04 de fevereiro de 2019 | 21h18

SÃO PAULO - A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) irá cancelar as multas aplicadas por desrespeito ao rodízio na manhã desta segunda-feira, 4.

A decisão foi tomada por causa dos alagamentos provocados em diversos pontos da cidade pela chuva da madrugada. Segundo a CET, no período da tarde, entre 17h e 20h, o rodízio está mantido normalmente.

"A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes esclarece que as multas do rodízio não serão emitidas na manhã desta segunda-feira para não prejudicar os motoristas que ficaram presos em congestionamentos devido às chuvas. A restrição volta a vigorar normalmente no período da tarde/noite, entre 17 horas e 20 horas, no centro expandido da capital", destacou a nota.

O que fazer em caso de alagamentos. O melhor a se fazer numa situação de risco é tentar manter a calma e procurar saídas viáveis. Se a chuva estiver forte, evite passar pelas áreas com histórico de alagamentos frequentes.

A semana começou chuvosa na cidade de São Paulo. Após dias de calor de intenso, áreas de instabilidade atingiram com força diversas regiões da capital paulista nesta segunda-feira, aproximando-se das zonas oeste e sudeste com mais intensidade. 

Segundo o Corpo de Bombeiros, até o meio-dia, foram registrados 5 desmoronamentos, 57 quedas de árvores e 36 pontos de alagamentos.

Desmoronamentos:

- Rua das Barcaças, em Parelheiros, na zona Sul. Ocorrência sem vítimas.

- Rua Tipuana, 64, Sítio dos Vianas, em Santo André. Dano material, sem vítimas.

- Rua Castelândia, em São Miguel Paulista, na zona Leste. A Defesa Civil está fazendo avaliação dos danos de estrutura. Sem vítimas.

- Rua Tapendi, em Pirituba, na zona Norte. Bombeiros isolaram a área. Defesa Civil acompanha a ocorrência. Sem relato de vítimas.

Por volta das 12h20, o Corpo de Bombeiros foi acionado para mais uma ocorrência de desmoronamento na Rua Gerneral Pacífico Furtado, 306, no Grajaú, na zona Sul.

As chuvas começaram a perder intensidade por volta das 6h, quando foi encerrado o estado de atenção na cidade para alagamentos. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, até às 5h50 havia 7 acionamentos para quedas de árvores, 28 para enchentes e 2 para desabamentos. O Aeroporto de Congonhas registrou rajadas de vento de 51 km/h.

As fortes chuvas e ventos também prejudicaram o transporte público. Na linha 15-Prata do Metrô, os trens circularam com velocidade reduzida e maior tempo de parada entre as estações Camilo Haddad e Vila União em razão da falta de energia elétrica. No momento, a operação segue normalmente. Na CPTM, alagamentos provocaram a mesma situação entre as estações Socorro e Granja Julieta, mas horas depois a situação normalizou.

No Metrô, passageiros enfrentaram atrasos e vagões lotados na linha 3- Vermelha nesta manhã. Por volta das 8h30, dentro dos trens, adultos ficaram 'esmagados' e muitas crianças também sofreram e ficaram impacientes. Além de demora para sair das plataformas, os trens faziam paradas mesmo fora das estações. 

O trecho entre Corinthians-Itaquera e Palmeiras-Barra Funda feito em 40 minutos em dias normais, nesta manhã foi feito em 1h15 minutos.

Às 9h30, a cidade registrou o recorde de congestionamento para este ano. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a lentidão atingiu 202 km. O índice mais alto tinha sido alcançado às 10 horas do dia 1º de fevereiro, quando a capital registrou 108 km de congestionamento. Por volta das 9h55, a zona oeste era a mais complicada, com 61 km de lentidão, seguida pela zona sul, com 42 km.

O CGE informou que o tempo segue instável, com chuvas intermitentes e baixo potencial para novos alagamentos. As temperaturas caíram e estão por volta dos 19ºC. A máxima prevista para o dia é de 25ºC.

Próximos dias

A passagem de uma frente fria por São Paulo põe fim ao forte calor registrado nas últimas semanas. O sistema traz chuva e queda das temperaturas nos próximos dias, variando entre mínima de 20°C e máxima de 25°C, com taxas de umidade do ar elevadas e acima dos 60%. A continuidade das chuvas mantém o risco de deslizamentos de terras e alagamentos na cidade.

Na terça-feira, 5, as instabilidades devem diminuir e o dia pode começar com sol entre muitas nuvens. Os índices de umidade devem se elevar e variar entre 62% e 95%. No período da tarde, não se descarta a ocorrência de pancadas rápidas de chuva com baixo potencial para alagamentos.

Temporais causam morte no interior e alagam cidades no litoral de SP

Chuvas fortes com vento e granizo derrubaram árvores e fizeram rios transbordarem, na madrugada desta segunda-feira, 4, em cidades da Baixada Santista e no litoral norte do Estado de São Paulo. Ruas e bairros ficaram alagados, deixando pessoas ilhadas. Houve quedas de muros e de postes com fiação elétrica. Havia famílias desabrigadas em Cubatão e Peruíbe, segundo a Defesa Civil. Em Ribeirão Preto, um homem de 72 anos morreu, atingido pelos estilhaços de uma vidraça que se rompeu durante o temporal.

Conforme a Defsa Civil de Santos, em três horas, durante a madrugada, caíram 220 mm de chuva. Toda a região do cais santista ficou alagada. Canos do sistema de distribuição de água estouraram, abrindo cratera numa rua, que precisou ser interditada. Houve deslizamentos de morros nos bairros Marapé, São Bento e Nova Cintra. Num deles, no bairro José Menino, a queda da barreira destruiu um muro e soterrou um carro, mas não houve feridos. Um poste caiu. As áreas estão em alerta.

Com as ruas alagadas ou interditadas pela queda de árvores, várias linhas de ônibus tiveram a circulação suspensa. Em Cubatão, o Rio Pilões transbordou e dezenas de famílias, alertadas por uma sirene, tiveram de abandonar as casas. Os desalojados foram abrigados em casas de amigos e parentes, enquanto aguardavam as águas baixarem. Prefeitura e Defesa Civil monitoram o nível do rio.

Em São Vicente, houve quedas de árvores em frente ao Fórum e um muro caiu na avenida Getúlio Vargas. Em alguns pontos, a maré subiu 2,5 metros e atingiu o calçadão. Um carro foi coberto pela água. Houve alagamentos e quedas de árvores também em Mongaguá e Itanhaém.

Em Peruíbe, o bairro Caraguava ficou totalmente alagado e o Corpo de Bombeiros usou barcos para resgatar pessoas ilhadas. Conforme a Defesa Civil, oito famílias foram encaminhadas para um alojamento da prefeitura, na Vila Peruíbe. Outros quatro bairros registraram alagamentos. Em São Sebastião, no litoral norte, a chuva causou alagamentos em todos os bairros da Costa Sul. No centro da cidade, algumas ruas ficaram cobertas de terra e lama.

Além de alagar ruas e derrubar árvores, o temporal que atingiu a cidade de Ribeirão Preto, região norte do Estado, no fim da tarde de domingo, 3, causou a morte de um morador. Ricardo Antonio Simões Villa, de 72 anos, foi até a cozinha de seu apartamento, no centro, com a intenção de fechar a janela, mas o vento de 70 km/h, segundo a Defesa Civil, fez com que a vidraça batesse. O impacto quebrou os vidros e lançou estilhaços contra o idoso. Ferido, ele chegou a ligar para um amigo pedindo ajuda. O amigo arrombou a porta para entrar no apartamento, mas encontrou Villa já sem vida.

 

 

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