Artur Moser/Ag. RBS
Artur Moser/Ag. RBS

Chuva em SC mata duas pessoas e afeta 86 cidades

Em Rio do Sul, homem foi eletrocutado ao encostar remo de canoa em fio de alta tensão; em Guabiruba, vítima caiu do telhado de casa

Carla Cavalheiro, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

FLORIANÓPOLIS

As quase 72 horas seguidas de chuva em Santa Catarina já levaram à morte de duas pessoas e deixaram 34 cidades em situação de emergência. Pelo menos 819 mil pessoas foram afetadas em 86 municípios do Estado.

Na cidade de Guabiruba, Valdomiro Carminatti, de 66 anos, morreu ao cair do telhado de sua casa, anteontem. Em Rio do Sul, que já havia anunciado calamidade pública, um homem morreu eletrocutado. A vítima, que não teve o nome divulgado, estava em uma canoa, quando bateu o remo em um fio de alta tensão. Outro ocupante da embarcação, menor de idade, está hospitalizado. Por causa desse acidente, a Celesc, empresa de fornecimento de energia, cortou a eletricidade para os municípios mais atingidos, segundo Cláudio Varella, da regional da companhia em Blumenau.

A cidade de Brusque, com 105 mil pessoas afetadas pelas chuvas, também decretou estado de calamidade pública. A cidade com o maior número de pessoas desalojadas é Itajaí, no litoral norte. Ali, até as 18h de sexta-feira, 17 mil pessoas estavam fora de suas casas. Blumenau registrou a segunda maior ocorrência de pessoas desalojadas: 15 mil.

A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e o secretário nacional da Defesa Civil, Humberto Viana, estiveram reunidos com o governador Raimundo Colombo (PMDB) ontem à tarde, mas ainda não foi definido o montante de recursos federais de emergência que serão destinados para o Estado.

Alívio. A chuva diminuiu em todo o Estado e a previsão do tempo indica fim de semana de sol em várias regiões. "Apesar do volume de água estar próximo do registrado no início da década de 1980, vale ressaltar que as ações preventivas evitaram que tivéssemos uma tragédia com mais vítimas", lembra o major da Defesa Civil, Émerson Emerim.

Uma medição feita ontem às 18 horas no Rio Itajaí-Açu, que corta o vale onde se concentram as cidades afetadas, confirmou que o volume de água estava baixando 3 centímetros por hora. A medição naquele horário confirmava 12,29 metros. À tarde, a forte correnteza levou as réguas de medição da Defesa Civil e o controle passou a ser feito por uma régua instalada em uma fábrica de Blumenau.

"Retiramos as pessoas de áreas de risco porque havia a previsão de o rio atingir níveis recordes", afirma o diretor da Defesa Civil catarinense, major Márcio Luiz Alves. "Foi uma ação preventiva que certamente evitou que a tragédia da chuva no Estado tivesse mais registros humanos", ressaltou.

Paraná. Subiu para 695 o número de pessoas atingidas por chuvas no Paraná, segundo a Defesa Civil estadual. O município mais prejudicado é União da Vitória, na região sul, a 230 km de Curitiba. Lá há 250 pessoas desabrigadas. Os alagamentos também atingem General Carneiro, Palmas e Francisco Beltrão. O nível da água do Rio Iguaçu, que corta União da Vitória, sobe 3 centímetros por hora, segundo a Defesa Civil do município.

O Instituto Tecnológico Simepar informa que a nebulosidade predomina no Paraná, com registro de chuvas entre o noroeste e o norte do Estado. / COLABOROU EVANDRO FADEL

Online

Os sites da Defesa Civil e das prefeituras emitem boletins em tempo real, atualizando dados e divulgando alertas para que a população saiba o que está acontecendo e possa tomar providências.

PARA LEMBRAR

Em 2008 houve 135 mortes

Em 2008, as chuvas na região do Vale do Itajaí começaram no dia 22 de novembro e provocaram estragos por quase três semanas. No total, 135 pessoas morreram nesse período, a maioria vítima de deslizamentos de terra. As enchentes também deixaram 12 mil desalojados em 60 cidades. Cerca de 1,5 milhão de pessoas foram afetadas e 25 comunidades simplesmente sumiram do mapa.

No total, a estrutura de suporte para lidar com as enchentes contou com 24 helicópteros e 4 aviões da Força Aérea. Doações da sociedade totalizaram R$ 34 milhões e o governo federal e o Congresso Nacional prometeram a liberação de R$ 360 milhões.

Por conta da tragédia, no ano passado o Congresso Nacional aprovou legislação que prevê que vítimas de desastres naturais - como deslizamento de encostas ou queda de barreiras provocadas pela chuva - poderão sacar dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) até o limite de R$ 4.650.

 

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