ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Chuva em São Paulo mata 2, alaga ruas e derruba árvores

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências, a chuva atingiu mais fortemente as zonas oeste e norte da cidade

O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2016 | 17h34
Atualizado 21 Outubro 2016 | 01h00

SÃO PAULO - As chuvas que atingiram a capital paulista por duas horas na tarde desta quinta-feira, 20, causaram alagamentos, quedas de árvores e a morte de dois homens, um deles atingido pela fiação elétrica e outro afogado, na Lapa, zona oeste. Parte do teto do estacionamento de um shopping desabou e houve registro de granizo e pessoas ilhadas. Até as 19 horas, a capital registrava dois pontos de alagamento. 

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), a chuva atingiu mais fortemente as zonas oeste – onde a precipitação atingiu 23% do previsto para todo o mês – e norte. No bairro do Butantã, na zona oeste, por exemplo, foram registrados 46,8 mm de precipitação, enquanto a média da cidade foi de 8,3 mm.

Foi em outro bairro da zona oeste, a Lapa, onde os bombeiros verificaram a morte de um homem atingido por fiação elétrica. O incidente aconteceu por volta das 17 horas. Ele chegou a ser levado pelos bombeiros para o Hospital Sorocabana e morreu em seguida.  Ainda na Lapa, meia hora depois, viaturas dos bombeiros fizeram o resgate de uma pessoa que se afogou, na passagem subterrânea Toca da Onça, que alagou. 

Em Pinheiros, também na zona oeste, a força da chuva provocou a queda de um pedaço do gesso do teto do estacionamento do Shopping Eldorado. Em nota, a assessoria do centro de compras informou que o incidente não trouxe riscos e toda a operação do estabelecimento foi mantida. Segundo o CGE, o temporal foi causado pela combinação de altas temperaturas com a entrada do ar frio do mar na capital. “Choveu em grande quantidade e por um longo tempo em uma mesma região, a zona oeste”, afirmou o meteorologista do CGE Adilson Nazário.

Norte. A região de Perus, na zona norte de São Paulo, entrou em estado de alerta às 18h25 desta quinta com o transbordamento do córrego homônimo. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, uma família precisou ser resgatada no Parque São Domingos, também na zona norte, depois que sua casa ficou ilhada.

Na Vila Brasilândia, mesma região, a queda de uma árvore em cima de uma motocicleta deixou dois feridos – um homem e uma mulher. Eles foram levados ao pronto-socorro da Cachoeirinha, segundo os bombeiros, com várias fraturas. O vento também trouxe problemas, chegando a 66,7 km/h no Campo de Marte.

Ao todo, os bombeiros registraram 154 chamados sobre quedas de árvores na cidade. Os casos aconteceram nas zonas norte, sul e oeste.  

Durante a chuva, segundo a Climatempo, São Paulo foi atingida por 150 raios, número inferior aos 760 que a cidade registrara da 0 hora às 8h38, quando outro temporal afetou a capital. À tarde, de acordo com o CGE, a temperatura no Município chegou a 32,1ºC. Havia previsão de nova chuva forte na madrugada desta sexta.

Transtornos. Apesar dos relatos recolhidos pelos bombeiros, o CGE registrava, até as 19 horas, somente dois pontos de alagamento na cidade. De acordo com o órgão, houve ainda queda de granizo na zona sul. Moradores do Sumaré, da Pompeia, da Lapa, da Vila Madalena e de Pinheiros – todos na zona oeste – relatavam o caos. “Faltou luz, telefone, internet, sinal de celular”, contou Daniela Roque sobre a situação de seu apartamento na Vila Madalena.

De lá ela saiu para Pinheiros, a fim de poder continuar trabalhando e só foi encontrar luz em uma livraria na Avenida Pedroso de Morais. No caminho, viu caos na rua, com faróis apagados. A amiga Fernanda Cavalcante, que trabalha nas proximidades da Avenida Brigadeiro Faria Lima, também em Pinheiros, e foi encontrá-la na loja, descreveu a situação: “Parecia o filme Ensaio sobre a Cegueira, com todo mundo andando sem saber para onde ir.”

Funcionários da Secretaria de Meio Ambiente, no bairro de Pinheiros, tiveram de encerrar o expediente mais cedo por causa da falta de luz. Diversos escritórios da Vila Olímpia e do Itaim-Bibi (zona sul) também encerraram o expediente mais cedo. Nas redes sociais, a chuva foi tema de milhares de posts. “São Paulo não funciona”, escreveu Vitoria Prado, no Twitter. “Morrendo de medo da chuva em São Paulo. Sim, claro ou com toda a certeza?”, indagou Isabela Gusman.

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