Chuva em excesso atingiu barragens insuficientes

Em 3 dias, precipitações superam o que costuma cair em todo o inverno na Zona da Mata; experts ainda culpam ocupação desordenada de margens de rios

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2010 | 00h00

Tempestades abundantes concentradas em três dias, infraestrutura insuficiente de barragens para a contenção das águas do Rio Una, cuja inclinação elevada favorece as cheias, e crescimento populacional desordenado, com construções que invadiram a bacia dos rios. Esses três fatores são apontados como as causas principais das cheias no sul da Zona da Mata.

Segundo o secretário de Infraestrutura de Palmares, Clodomir Azevedo, entre quinta e sábado choveu mais de 450 milímetros, volume que costuma cair ao longo de todo o inverno. Como as cidades dessa região canavieira cresceram às margens do rio e próximas das usinas, aumentou a impermeabilização do solo e o desmatamento das matas ciliares, que amenizam as cheias.

Já para o professor Ricardo Sarmento Tenório, que coordena o Sistema de Radar Meteorológico de Alagoas, porém, a causa pode ter sido o rompimento de barragens privadas na bacia dos Rios Canhoto (PE) e Mundaú (entre Pernambuco e Alagoas). A hipótese de Tenório é de que elas ficaram saturadas e se romperam. "É a única explicação. Não foi uma tromba d"água em determinada região. A característica foi de uma onda grande, um tsunami", afirmou o meteorologista.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, disse que a Secretaria Estadual de Recursos Hídricos já tem um estudo onde localizou quatro regiões na Bacia do Rio Una que podem receber barragens. Seriam necessários investimentos de R$ 600 milhões para finalizar as obras. Mas ele e o colega de Alagoas, Teotônio Vilela Filho, negaram que os rompimentos de barragens ou de açudes tenham causado a enchente.

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