Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Chuva dobra tempo de atendimento da Eletropaulo e bairros ficam 24h sem luz

Temporal de segunda interrompeu 49 circuitos da Eletropaulo, afetando mais de 140 mil pessoas; só ontem houve queda de 121 árvores

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 02h01

Atualizada às 7h57

SÃO PAULO - Não importa se a chuva dura alguns minutos. Quando falta luz durante temporais como os que têm atingido São Paulo todas as tardes desde quinta-feira, a AES Eletropaulo leva em média 5 horas para restabelecer a energia na casa dos paulistanos - o dobro do atendimento de falta de luz em dias normais. Moradores do centro expandido chegaram a ficar mais de 24h sem luz após chuva de na segunda-feira, 18.

O temporal de segunda-feira causou a interrupção de 49 circuitos da Eletropaulo, afetando mais de 140 mil pessoas. Segundo a concessionária, metade havia sido consertada em um período de até quatro horas e quase todos (97%) em dez horas. "O tempo médio de atendimento é de duas horas e meia. Em condições anormais, o dobro. O trânsito e os pontos de alagamento dificultam o acesso das nossas equipes", afirma Otávio Grilo, diretor de operações da Eletropaulo. A chuva do começo da tarde de ontem causou um estrago menor: 12 circuitos atingidos, ou 30 mil pessoas em média.

Quem vive em qualquer região de São Paulo sente na pele o que é a demora no atendimento da Eletropaulo. Morador do Paraíso, na zona sul, o analista de sistemas Fábio Rivera Martin, de 35 anos, ficou sem luz duas chuvas seguidas: das 16h de anteontem, quando caiu um temporal, às 16h de ontem, quando caiu outro. Nas tratativas para conseguir um novo emprego, teve de ir para uma lan house trocar e-mails com o futuro chefe. "Também comprei um saco de gelo para não estragar a comida da minha geladeira."

Ligar para a Eletropaulo não adiantava. Enquanto Martin ouvia a atendente eletrônica dizer que anteontem era um "dia crítico" na cidade, o vendedor Tarsio Sagges Venâncio, de 31 anos, morador da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, ouvia sinal de ocupado. "E olha que nem choveu tanto por aqui. Só consegui falar com eles à meia-noite. Me deram uma previsão para 3h, depois 9h30, depois 14h. Completamos 24h sem luz e nada de eles chegarem." A concessionária disse que de fato houve um congestionamento nas linhas telefônicas, já solucionado.

A mesma situação foi vivida na zona leste pelo aposentado Francisco Navarro, de 57 anos, morador da Mooca. Ontem, no fim da tarde, quando já completava um dia inteiro sem energia, a previsão da Eletropaulo era chegar lá apenas a 0h20. "Saiu fogo da fiação. Toda vez que ligo, dão um novo horário. No condomínio tem muita gente idosa que precisa de eletricidade por questão de saúde."

No Alto de Pinheiros, zona oeste da cidade, a luz só voltou na rua da jornalista Tatiana Lichtig, de 31 anos, depois que uma das vizinhas ameaçou fazer um boletim de ocorrência. Foram quase 50 horas sem energia, das 17h30 de quinta-feira até a madrugada de domingo. "Fizemos um trabalho conjunto. Um ligou para a Prefeitura, outro para os bombeiros, outro para a Eletropaulo."

Árvores. Em nenhum desses casos, segundo os moradores, a falta de energia foi causada por uma queda de árvore na fiação - e foram 121 ocorrências do tipo ontem na cidade. Os casos mais graves foram na Alameda Casa Branca, nos Jardins, e na Rua Visconde de Inhomerim, na Mooca, que levaram mais de um dia para serem retiradas.

"A remoção de árvores é uma ocorrência muito perigosa, a que mais bombeiros se machucam. Você imagina que algumas pesam uma tonelada. A gente leva até duas horas para retirar algumas", afirma o capitão Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros. "Atendemos nas últimas 24h (entre segunda e terça-feira) a 68 ocorrências de quedas de árvores na Região Metropolitana de São Paulo."

Segundo a Eletropaulo, mais de 300 mil árvores foram podadas de maneira preventiva durante todo o ano passado.

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