Everton Oliveira/Estadão
Everton Oliveira/Estadão

Chuva derruba 286 árvores, o maior número da história; Ibirapuera fecha

Atualizada às 0h59 min de terça-feira, 28.

Caio do Valle, Edgar Maciel, Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

29 Dezembro 2014 | 08h41

SÃO PAULO - O temporal desta segunda-feira, 29, com ventos que atingiram 96 km/h, provocou a queda de pelo menos 286 árvores em vários pontos de São Paulo – um recorde histórico para um dia de chuva nos últimos 25 anos. A maior parte da vegetação caiu em bairros da zona sul e oeste da capital paulista. Um dos locais mais prejudicados foi o Parque do Ibirapuera, na zona sul, que ficou com os portões fechados por mais de 10 horas.

A Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras ainda está mapeando o número de árvores caídas na capital, que pode ser superior a 300. Equipes de poda ainda estão trabalhando para remover as vegetações das principais vias. A previsão é que todas as árvores sejam retiradas até o dia 31. As regiões mais afetadas foram Ipiranga, Vila Mariana, Pinheiros, Butantã e Santo Amaro.

 

Cerca de 40 mil passageiros da Linha 10-Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) enfrentaram transtornos pela manhã, uma vez que nove estações fecharam após um tronco cair no ramal. A situação só foi normalizada às 14 horas. Os ventos também prejudicaram a rede da AES Eletropaulo. Segundo a concessionária, 128 árvores atingiram a rede de distribuição. As zonas sul e norte da capital, além do ABC, foram as mais afetadas. A empresa não divulgou quantas casas ficaram sem luz, mas disse que a situação era “crítica”.

No trânsito, os semáforos também apresentaram problemas. Pelo menos 139 pontos tiveram faróis defeituosos nas vias paulistanas. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) também afirmou que as chuvas prejudicaram o sistema de abastecimento de parte da capital. Os bairros de Vila Mariana, Cursino e Sapopemba, além de Vila Zaíra, em Mauá, e Curucá e Paraíso, em Santo André, ficaram com abastecimento comprometido por causa da falta de energia elétrica.

 

Fonte: CET-SP

Causas. Engenheiro florestal das subprefeituras paulistanas, Danilo Mizuta disse que a quantidade de queda de árvores surpreendeu os técnicos da administração. “Nunca vimos uma quantidade tão grande nos últimos 25 anos. Até mesmo árvores sadias caíram. O vento foi muito forte e isso ocasionou essa queda em massa”, explicou.

A meteorologista Bianca Lopo, da Climatempo, acredita que é provável que a queda de árvores tenha sido consequência da intensidade dos ventos. “Se a causa tivesse relação com o solo, provavelmente elas teriam caído com as raízes. Mas o que vimos foram árvores quebradas ao meio e postes derrubados. É provável que a causa tenha sido mesmo a intensidade do vento”, afirmou.

O meteorologista Augusto José Pereira Filho, da Universidade de São Paulo (USP), explica que o movimento vertical do vento, em que desce o ar frio, contribui para o fenômeno. “O ar não consegue penetrar o chão e se espalha. Na cidade, temos corredores, com árvores no meio. E são elas que têm menor resistência”, apontou. A recente estiagem na região também influencia. “Com umidade menor no solo, há um adicional de fragilidade”, disse.

Na zona sul, pelo menos 25 árvores caíram no interior do Parque do Ibirapuera. O local, que normalmente abre às 5 horas, permaneceu com os portões trancados até as 15 horas de ontem, quando reabriu parcialmente. Uma das árvores atingiu a casa onde funciona a administração. Algumas vias onde os usuários costumam trafegar ficaram totalmente bloqueadas. Por meio de nota, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente informou que essa foi a primeira vez que o Ibirapuera não abriu as portas em mais de 40 anos.

O fechamento repentino frustrou o plano das pessoas que foram ao local para aproveitar a folga entre Natal e ano-novo. O ajudante-geral Fabiano Pinto, 38 anos, estava na preparação para a maratona de São Silvestre, que será amanhã. “Vim para correr aqui. E, agora, vou correr na rua?” / COLABORARAM FÁBIO DE CASTRO e VICTOR VIEIRA

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