Chuva deixa ABC ilhado; três casas desabaram na capital

Temporal travou a circulação de trens na Região Metropolitana; SP registrava 24 pontos de alagamento às 19h

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2012 | 03h04

A forte pancada de chuva que atingiu a Grande São Paulo no fim da tarde de ontem causou transtornos para os moradores principalmente do ABC paulista e das zonas sul e norte da capital. Na Casa Verde, zona norte, um barraco desabou e, na zona sul, duas casas caíram parcialmente - uma em Cidade Ademar e outra na Capela do Socorro, onde um muro também veio abaixo. Não houve vítimas, segundo a Defesa Civil.

O Córrego do Ipiranga transbordou e impediu a passagem no cruzamento da Avenida Abraão de Morais com Rua Ribeiro Lacerda por uma hora. A cidade tinha outros 24 pontos de alagamento até as 19 horas de ontem - nove intransitáveis, de acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE).

O temporal atrapalhou a volta para casa de milhares de pessoas. Grandes avenidas de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema ficaram intransitáveis por causa do transbordamento de córregos locais, como o Ribeirão dos Couros e o Ribeirão dos Meninos. Motoristas e pedestres passaram horas ilhados, à espera de uma trégua na enxurrada, que também complicou a circulação em rodovias, como a Anchieta, e em linhas de trem.

A circulação de trens ficou restrita na Linha 10-Turquesa, o que deixou estações abarrotadas de passageiros. O alagamento nos trilhos impediu a passagem das composições entre as Estações Utinga e Santo André por cerca de duas horas. A Companhia Paulista de Trens Metropolitano (CPTM) teve de pedir reforço de ônibus no trecho. A chuva paralisou linhas de trólebus no ABC.

Ilhada. A metalúrgica Daniela da Silva Castanho, de 28 anos, tentava voltar para casa em Santo André durante a tarde, mas ficou presa no centro de São Bernardo do Campo. Segundo ela, agentes da prefeitura passaram por volta das 16 horas e davam previsão de que a água turva demoraria mais quatro horas para baixar. De longe, ela avistava a baixada do paço municipal completamente alagada, com água a mais de um metro de altura.

"O paço está todo alagado, cheio de carros boiando. Um caos", disse Daniela, que também flagrou pedestres passando mal sendo socorridos pela Guarda Municipal. Helicópteros da Polícia Militar também prestavam apoio sobrevoando o local.

O Ribeirão dos Couros transbordou e interditou um trecho de quatro quilômetros, entre os km 10 e 14, da Via Anchieta. As pistas centrais ficaram bloqueadas por um bolsão d'água à tarde.

Um caminhão havia tombado na pista da Anchieta, por volta das 14 horas, o que interrompeu o tráfego no km 39. O fluxo foi desviado para a Rodovia dos Imigrantes. Neblina e chuva já forçavam a Ecovias - concessionária que opera o Sistema Anchieta-Imigrantes - a realizar a Operação Comboio na descida para o litoral.

A Imigrantes tinha sete quilômetros de congestionamento no início da noite de ontem no sentido litoral, e dois em direção à capital paulista. Segundo a Ecovias, era reflexo dos pontos de alagamento.

A previsão do tempo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, indica instabilidade e pancadas de chuva forte à tarde e à noite até o fim de semana.

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