Chuva atrasa blocos de carnaval em São Paulo

Bloco Acadêmicos do Baixo Augusto adotou para este ano tema que critica o Estatuto da Família, em tramitação no Congresso Nacional

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2016 | 19h07

SÃO PAULO - Com duas horas de atraso por causa das chuvas que atingiram São Paulo na tarde deste domingo, 24, o Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta subiu ao palco do Mirante 9 de Julho, no centro da cidade, por volta das 18 horas. Famílias, casais e grupos de amigos começaram a festejar ao som do hino do bloco: "Apavora, mas não assusta / Chegou o carnaval do Baixo Augusta".

Às 18h30, após a liberação da Avenida Paulista para carros, motoristas que desciam a Rua Professor Otávio Mendes , na lateral do Masp, em direção à rotatória, enfrentaram lentidão e trânsito congestionado. O taxista Davi Barbosa, de 22 anos, disse que teve de parar na rua Carlos Comenale para duas passageiras descerem porque o acesso para a Rua Professor Picarolo estava congestionada de público. 

Um agente da Companhia de Engenharia do Tráfego (CET) informou que a festa não estava programada e que, por isso, não havia orientação agendada para o local. O advogado Jorge Salomo,  de 58 anos, morador de um edifício na Rua Carlos Comenale, queixou-se da falta de orientação aos motoristas. "A entrada da garagem do meu prédio é por uma rua só. Não tem como entrar. Só se for de helicóptero", afirmou Salomo.  

Em nota, o Bloco informou que o Mirante 9 de Julho solicitou autorização para a Subprefeitura, "prevendo que o público pudesse ocupar a rua". No texto enviado ao Estado, o presidente Alexandre Youssef disse: "O espaço público foi ocupado com alegria sem maiores problemas. Carnaval de rua é na rua mesmo e louvamos que estejamos vendo ele crescer. Os órgãos públicos precisam se comunicar e fazer seu trabalho".

Com previsão de 3 horas de duração, este ano o tema do grito de carnaval é "Família Augusta, de todo jeito nos gusta". O nome é uma crítica ao Estatuto da Família, que tramita no Congresso Nacional. Um dos organizadores do Bloco, o cabeleireiro Luciano Calcolari,  de 45 anos, disse que, por tradição, os integrantes trazem ao público um posicionamento político. 

"Este ano o tema é família porque me gusta homem com homem, dois pais brancos com dois filhos pretos, dois pais pretos com dois filhos brancos. O bloco é pela inclusão social e contra toda caretice. Somos um bloco totalmente democrático, que se posiciona politicamente", destacou.

Calcolari explicou que o grupo escolheu o Mirante 9 de Julho para se apresentar por causa do "visual maravilhoso" e porque o local "tem tudo a ver com o Baixo Augusta". "É um salve à Paulista Aberta. Queremos trazer o povo para o lado de baixo da Paulista", disse.

Todos os anos, a galerista Rosana Baracat, de 52 anos, marca presença no Acadêmicos do Baixo Augusta. "Eles foram os pioneiros na volta do carnaval, trazem uma proposta bacana e têm uma história musical, de se apresentar com o Simoninha (vocalista e filho do Wilson Simonal)", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.