Denny Cesare/Estadão
Denny Cesare/Estadão

‘Choro pelo meu filho, mas ergo a mão ao céu por minha mulher’, diz parente de vítimas

Aposentado foi ao IML para reconhecer corpo do filho, morto por um atirador na Catedral Metropolitana em Campinas

Felipe Resk e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2018 | 21h58

SÃO PAULO - Amparado pelo filho e pelo neto e aos prantos, o aposentado Milton Monteiro, de 71 anos, foi nesta terça-feira ao Instituto Médico-Legal (IML) do Cemitério Parque Nossa Senhora da Conceição, em Campinas, para reconhecer o corpo do caçula, Sidnei Vitor Monteiro, morto por um atirador na Catedral Metropolitana da cidade. A mulher do idoso também foi baleada, mas não corre risco de morte.

“Ao mesmo tempo em que choro pelo meu filho, ergo a mão para o céu por minha mulher (Jandira, de 65 anos). Ela parou a bala com a mão e graças a Deus está viva”, contou o aposentado. Ele diz não saber como dar a notícia da morte de Sidnei à mulher, com quem é casado há 50 anos. “Ela falava com ele por telefone dez vezes por dia. Eram grudados.” 

Sidnei Vitor era ajudante de eletricista na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e se encontraria com a mãe para ir ao dentista. “Ela é muito católica, decidiu rezar na catedral”, disse Monteiro, que não quis falar sobre o atirador. 

A doméstica Edna Rodrigues chegou aflita ao IML em busca da irmã Lourdes, de 79 anos. Ficou aliviada ao saber que ela estava fora de perigo. A idosa foi atingida por um tiro dentro da catedral e levada ao Hospital Mário Gatti. “Não vai precisar nem de cirurgia. Graças a Deus. Ela vive na igreja e eu também. Era para estar lá, mas peguei uma faxina. Foi por Deus.” 

Armas. O caso ainda reacendeu a polêmica sobre flexibilizar a venda de armas de fogo no País, bandeira do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Major Olímpio (PSL), senador eleito e correligionário de Bolsonaro, disse que crimes como esse ocorrem geralmente com armas ilegais e afirmou que, da forma como está, o Estatuto do Desarmamento fez um “empoderamento” dos bandidos. “Flexibilizar o estatuto é estabelecer regras de controle. Não é o descontrole de armas.” 

Já para o especialista em segurança da Fundação Getulio Vargas (FGV) Rafael Alcadipani, o ataque reforça o risco de armar a população. “Quanto menos arma, menos crime. É o que mostra a maioria dos achados científicos sérios.” Segundo ele, estudos mais recentes apontam que um aumento de 1% na circulação de armas pode causar crescimento de 2% nos crimes em geral. /Colaborou Luiz Fernando TOledo

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