Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Choque elétrico mata dois em hangar

Sogro e genro eram pedreiros e faziam reparos para a empresa aérea Avianca próximo de Congonhas; outro funcionário ficou ferido

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2011 | 00h00

Uma descarga elétrica estimada em 13 mil volts matou na manhã de ontem dois homens que prestavam serviço no hangar da companhia aérea Avianca, próximo do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Os dois eram da mesma família e foram carbonizados. Um terceiro funcionário, que tentou ajudar a dupla, também se feriu e foi levado para o Hospital do Servidor Público do Estado. Ele passa bem, segundo a polícia.

O acidente aconteceu por volta das 10 horas. Os pedreiros Afonso Gonçalves de Paula, de 56 anos, e seu genro, Thiago José Veloso Cadorin, de 25, faziam serviços de manutenção na parte externa do hangar, na Rua Tamoios, no Jardim Aeroporto.

Os dois cimentavam um buraco no muro. Na porta do local, Thiago foi deslocar uma barra de ferro, espécie de poste, e encostou-o em um cabo de alta tensão que abastece o prédio. Afonso tentou auxiliar o genro, mas também recebeu a descarga elétrica.

O cabo de alta tensão vai do poste na rua à parede do hangar. O choque foi tão violento que carbonizou Thiago. O sogro também caiu e teve o corpo parcialmente queimado.

Testemunhas disseram que a cena foi "terrível" e "desesperadora". O contato da barra com o cabo de alta tensão causou uma explosão que pôde ser ouvida a um quarteirão de distância.

Segundo o frentista Valdeci Silvino de Nascimento, de 38 anos, era impossível socorrer os dois. "O fogo durou de 15 a 20 minutos, que foi o tempo até a chegada dos bombeiros. Não dava nem para chegar perto do local", diz ele. "Parecia que tinha gasolina, o fogo chegou quase no telhado. Nunca mais quero ver uma cena parecida", disse o também frentista Irineu Antonio Silva, de 50 anos. Os dois trabalham em um posto de gasolina que fica na frente do hangar.

Socorro. Quatro viaturas dos bombeiros foram enviadas às 10h43, mas já não havia chances de salvamento. A polícia isolou a rua e a Eletropaulo desligou a energia do prédio. Segundo a Assessoria de Imprensa da empresa de energia, a ligação interna de energia é de responsabilidade do cliente. No início da tarde, os corpos foram levados para o Instituto Médico- Legal (IML).

Os dois mortos eram funcionários terceirizados que prestavam serviço para a Avianca. Ambos moravam em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Identificado apenas como Valdeci, o homem de 43 anos que ficou ferido na tentativa de socorrer as vítimas também era pedreiro.

O Estado fez contato com a empresa onde eles trabalhavam, mas não teve retorno.

A Avianca se manifestou "solidária às famílias das vítimas" e afirmou que oferece toda a assistência necessária. A companhia ainda se colocou "à disposição de todas as autoridades" para esclarecimentos. O caso, registrado como acidente de trabalho, foi encaminhado à Delegacia de Polícia do Aeroporto.

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