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Chimpanzé argentina salva por habeas corpus troca beijos com parceiro brasileiro

Cecília está fascinada com o jovem parceiro e o cobre de mimos

José Maria Tomazela , O Estado de S.Paulo

29 Agosto 2017 | 10h14

SOROCABA - A chimpanzé Cecília, de 20 anos, conhecida por ter sido libertada de um zoológico de Mendoza, na Argentina, por meio de um habeas corpus, instrumento jurídico usado para humanos, já não vive mais na solidão.

Desde a sexta-feira, 25, ela está na companhia do chimpanzé Marcelino, dez anos mais novo, no Santuário de Grandes Primatas, em Sorocaba, interior de São Paulo. 

O casal vive aos abraços e já foi flagrado se beijando pela tratadora Merivan Miranda, que registrou a cena.

"A solidão é uma tortura para um chimpanzé, e Cecília procurava desesperadamente uma companhia", conta Pedro Alejandro Ynterian, mantenedor do santuário e secretário-geral do Proteção aos Grandes Primatas (GAP) internacional. Com Billy, a relação não deu certo: acostumado à vida de circo, o chimpanzé prefere a companhia dos humanos.

Quando Cecília mostrou interesse por Marcelino, os cuidadores se preocuparam. O jovem tem 10 anos, nasceu no santuário e se desentendeu com o pai Peter, mas ainda era muito dependente da mãe, Tata, que o criou junto com três irmãos. 

"Passamos a administrar a relação. Uma semana o Marcelino ficava com a mãe e os irmãos, outras três ficava sozinho, mas podendo ver a Cecília por uma janela", contou Pedro.

O interesse de um pelo outro foi logo percebido pelos tratadores, até que a porta que separava os recintos foi aberta. Pedro conta que, embora jovem, Marcelino agiu como macho experiente. 

"Ele marcou o território gritando e correndo, sem mostrar intimidade. Cecília procurava o contato e ele ficava agitado. Até que a aproximação aconteceu, se abraçaram, se beijaram e não se separaram mais nas horas seguintes." Como a união deu certo, mais dois recintos foram abertos para o casal.

De acordo com o diretor, a chimpanzé está fascinada com o jovem parceiro e o cobre de mimos. Segundo ele, Cecília ainda está em idade reprodutiva e Marcelino já atingiu a maturidade, por isso o casal pode ter filhos. 

"A argentina Cecília e o brasileiro Marcelino iniciam uma vida em comum, que mitigará a solidão e fará mais aceitável a vida em cativeiro. Nada impede, porém, que apareça um filhote."

Cecília é a única sobrevivente de um grupo de chimpanzés que vivia em precárias condições num zooparque de Mendoza. Em 2014, a Associação dos Funcionários e Advogados por Direitos dos Animais (Afada) entrou com habeas corpus pedindo a transferência da chimpanzé para um santuário. 

Em 2016, a juíza argentina Maria Alejandra Maurício atendeu o pedido por considerar que, embora não humana, a chimpanzé é "um sujeito de direitos".

O santuário de Sorocaba, filiado ao GAP, foi escolhido para abrigar a primata. Em abril deste ano, numa operação cercada de cuidados, Cecília foi transportada de avião de Mendoza para São Paulo, de onde seguiu para Sorocaba.

 

 

 

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