Chegamos ao ponto de lutar para manter bairros preservados

A urbanística moderna conheceu uma longa evolução, atravessando momentos da história onde a cidade era voltada para planos monumentais ou para o urbanismo sanitarista. Acompanhou essa evolução o surgimento de planos voltados ao equilíbrio nas formas de ocupação e uso do solo.

Benedito Lima de Toledo, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2010 | 00h00

Seria uma das funções dos Planos Diretores. Setores da população escolhem para morar locais, como os bairros-jardins, regidos por regras bem claras e apoiados na legislação municipal.

Todavia, não faltam inventivas visando à alteração das regras, chegando-se ao ponto de se tornar necessária a invocação da instituição do tombamento. No momento estão ameaçados Pacaembu, Jardins Europa e Paulistano.

Do exposto fica evidente a importância da instituição do tombamento para esses bairros caracterizadores da cidade de São Paulo. Bairros planejados e tombados como os Jardins e o Pacaembu, além de ilhas verdes, beneficiam a cidade inteira. São locais menos densamente povoados no meio de outros bairros onde a verticalização chegou ao limite.

A cidade é dinâmica, mas não pode mudar elementos que a caracterizam. Esses bairros são lugares fortemente caracterizadores, importantes para a identidade do paulistano. Quanto mais o cidadão se identifica, mais gosta e mais cuida de sua cidade. Do contrário, pode acontecer como a Avenida São João, belíssima antes da construção do Minhocão, e, hoje, nem sombra do que foi.

Chegamos ao ponto de lutar pela manutenção de um tombamento; afinal o setor imobiliário "anda sempre à ronda buscando a quem devorar", como consta na Bíblia.

ARQUITETO DA FAU-USP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.