Chegamos ao limite, diz secretário de Esportes sobre Pacaembu

Com prejuízo de R$ 1,4 milhão por ano, Prefeitura não tem mais verba para investir no estádio

25 Março 2009 | 12h54

A Prefeitura não tem mais verba nem disposição política para usar dinheiro público no Pacaembu, um estádio municipal com atividades particulares. O secretário municipal de esportes, Walter Feldman, expõe a situação do complexo e os motivos que o levaram a procurar um parceiro (Corinthians) para a concessão.

 

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Por que ceder o Pacaembu ao Corinthians?

Eu quero debater primeiro. O futebol brasileiro precisa se modernizar. Para isso, os estádios precisam ser modernizados. Essa é a análise geral. Não faz sentido o Pacaembu ficar como está.

 

Qual é o projeto para o estádio?

Isso é detalhe. É possível o Pacaembu sofrer um processo de concessão? Sim e isso não é um escândalo. A visão que se tem sobre o tema é obscurantista. Ninguém quer discutir. Falta aprofundar o debate.

 

Qual é a sua opinião sobre o tema?

No ano passado, o estádio passou pela maior reforma da história. Mas o nosso poder de investimento chegou ao limite. Modernizamos o gramado, criamos um sistema melhor de segurança, mas ainda há muito a ser feito. A Prefeitura chegou ao seu limite. Não tenho mais como justificar, como governante, que investimentos públicos, volumosos, sejam feitos para um palco do futebol profissional, que é uma atividade empresarial. Não posso usar mais dinheiro público para fazer do Pacaembu o estádio que ele precisa ser.

 

O que diz o Corinthians?

Eu comecei a levantar essa tese há dois anos, como uma voz isolada. O Corinthians tinha resistência, mas já está mais aberto ao debate. O presidente Andres Sanches prefere a construção de um estádio próprio. Mas, com tanta dificuldade, já discute o Pacaembu como alternativo.

 

Quais são as exigências da secretaria para fazer a concessão?

O ideal é que o Pacaembu passe por uma grande modernização. Alguns pontos são fundamentais: manutenção do patrimônio tombado, ampliação do número de cadeiras, construção de estacionamento, melhora da acústica, além de condições logísticas para o entorno. Qualquer projeto sem esses itens, não será aceito pela cidade.

 

Do que o estádio precisa com urgência?

Estacionamento. Subterrâneo, na Praça Charles Müller, ou atrás das arquibancadas, algo que também é possível. Isso ajudaria a melhorar a logística da região. Modernização das cadeiras, banheiros, vestiários, área de imprensa. E melhorar a defesa acústica. Gastamos R$ 6 milhões no ano passado, mas há outros 500 equipamentos públicos que também precisam de reparos.

 

O custo do Pacaembu atrapalha outras atividades na cidade?

O estádio de futebol custou R$ 2,5 milhões em 2008. E arrecadou R$ 1,1 milhão. A prefeitura arca com esse prejuízo (de R$ 1,4 milhão). O Centro Olímpico, por exemplo, custa R$ 1,2 milhão, oferece dez modalidades esportivas e atende mil crianças. O dinheiro é investido comprovadamente em área social e pública.

 

Não há outras formas de ampliar a receita do estádio?

Por exemplo?

 

Cobrar mais caro o aluguel...

Nós já reajustamos o preço. Se cobrar mais, entramos no jogo do mercado e os jogos vão parar em outras cidades, como Barueri, Presidente Prudente... Nós estamos no limite.

 

Você sabe que vai enfrentar uma guerra com o Viva Pacaembu (ONG de moradores do bairro contrária à ideia)?

São amigos e eleitores. Estou disposto a discutir, mas eles são contra. Em vez disso, fazem jornalzinho, vão à imprensa, contratam advogados. Quero fazer tudo de forma democrática, mas há pessoas que não estão abertas ao debate.

 

Um dos argumentos contra a concessão é que o complexo todo ficaria em muitas mãos diferentes. Secretaria estadual, municipal, CET, Corinthians...

Eu não vejo conflito nenhum nisso. Cada um pode cuidar da sua parte. O Pacaembu foi construído numa época em que não havia dinheiro privado para ser investido. O futebol não tinha a dimensão de hoje, totalmente comercial.

 

Caso o Corinthians assuma o estádio, vai poder fazer shows?

Não. Esse é um acordo que existe entre a Prefeitura e o Viva Pacaembu. E teria de ser respeitado. A não ser que o Pacaembu se tornasse um estádio que não causasse incômodo aos vizinhos, o que é difícil.

 

O estádio pode ter mais lugares?

O Corinthians pode construir mais arquibancadas. Hoje, cabem 38.700 pessoas, mas o local está subdimensionado. O Pacaembu poderá receber de 43 mil a 47 mil torcedores sem grandes reformas.

 

O que não pode ser modificado?

 
 Foto: Hélvio Romero/AE
 O secretário Walter Feldman

A fachada do estádio e a altura. Pode-se construir mais arquibancadas, mas apenas para baixo. O gramado pode ser rebaixado para que camarotes sejam construídos. O Pacaembu é pouco atrativo para pessoas que podem pagar mais pelo ingresso. Claro, e não se toca no Museu nem nas outras partes do complexo.

 

É um estádio para a Copa de 2014?

Como campo de treino, sim. Para receber jogos, talvez. Mas não é a nossa meta. Acredito que São Paulo pode ter dois estádios na Copa, mas o Pacaembu não precisa ser um deles. Não pensamos nisso.

 

Se ao fim do debate ficar claro que a melhor solução não é ceder o estádio ao Corinthians, qual será seu futuro?

Dentro das nossas condições, é manter o Pacaembu do jeito que está.

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