Jose Patricio/AE
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Chegada do metrô faz crescer os crimes no entorno

Assaltos, arrombamentos e furtos são relatados por vizinhos e passageiros nas Estações Vila Prudente, Tamanduateí e Imigrantes

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2011 | 00h00

JORNAL DA TARDE

Assaltos a pedestres, arrombamentos e furtos de carro tornaram-se efeitos colaterais das novas estações de metrô paulistanas. Moradores e passageiros afirmam que com os benefícios do sistema de transporte perto de casa aumenta também a criminalidade. É o que tem acontecido na vizinhança das Estações Vila Prudente, Tamanduateí e Santos-Imigrantes, da Linha 2-Verde.

A advogada Maria Helena Matta de Jesus Souza, de 52 anos, por exemplo, mora a 5 minutos da Estação Santos-Imigrantes, na zona sul da capital. Mas o medo de enfrentar esse trajeto é tanto que o filho vai de carro até a Estação Paraíso.

Como ele, vários moradores já se depararam com ladrões no caminho até o metrô. A professora Ida Maria Sozzi, de 45 anos, não deixa os filhos voltarem sozinhos da estação no fim da tarde. "O metrô trouxe mais movimento, mas também assaltos. Não nos sentimos seguros." O carro da empresa do marido dela foi levado da porta de casa. Há um mês, uma jovem teve a mão ferida com faca durante assalto.

Vila Prudente. Na última reunião do Conseg de Vila Prudente, o número de participantes ficou acima da média. Os moradores foram reclamar das ocorrências policiais, que teriam aumentado após a entrega da estação local, em agosto. "Os carros dos usuários estão parados na frente das casas, o que tem atraído ladrões, que também estão aproveitando a situação e invadindo as residências", disse o presidente do Conseg, Renato Chiantelli.

Esse clima de insegurança é reforçado pela escuridão ao redor do metrô, principalmente na Rua Cavour. O assessor jurídico do Conseg Ipiranga, Eduardo Augusto Pinto, ressalta que falta planejamento para o entorno das estações após a inauguração. "Fica um vazio, principalmente no que se refere à iluminação pública." A costureira Odete Honório da Conceição, de 53 anos, desenvolveu uma estratégia para prevenir que a filha seja assaltada: ela fica na varanda, acompanhando a moça de binóculo.

O medo do trajeto virou uma reclamação comum para os moradores da Vila Independência e passageiros do Metrô Tamanduateí. A região é deserta, escura e degradada. Há um mês, Edileuza Claudia da Silva, de 32 anos, sofreu uma tentativa de assalto às 11h, na Rua Aída.

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