Chegada do La Niña amplia seca no Sul e temporais no Nordeste

O inverno é tradicionalmente a estação mais chuvosa do ano no Nordeste, assim como as chuvas de verão são normais no Sudeste do País. A época de temporais, porém, vem sendo agravada por dois fatores: o primeiro é o aquecimento de 1,5°C na temperatura do Oceano Atlântico na costa do Nordeste, o que eleva a umidade do ar, forma nuvens carregadas e produz muita chuva. O segundo é o fenômeno climático recém-chegado La Niña, que deve influenciar o inverno em todo o Brasil.

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2010 | 00h00

Oposto do El Niño, o La Niña é um resfriamento de 1°C a 2ºC no Oceano Pacífico que deixa o tempo frio e seco no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto leva chuvas para o Norte e Nordeste do País. "Com a consolidação do La Niña, o Nordeste deve continuar a ter chuvas de maior ou menor intensidade até agosto e o Sudeste segue com baixa precipitação", diz Mozar Salvador, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A temperatura atual em alguns pontos da superfície do Pacífico já está em 25°C, um grau a menos que a média histórica. Com isso, a circulação de ar proveniente do oceano diminui, o clima fica mais seco e as frentes frias passam mais rápido pelo continente. A baixa umidade do ar que já atinge São Paulo não tem previsão de melhora e deve se alastrar pelo restante de Sudeste e Sul durante o inverno.

O La Niña, que dura de 8 a 12 meses e aconteceu pela última vez entre maio de 2007 e junho de 2008, chega para suceder o El Niño, em ação desde junho de 2009, que perdurou até abril. "De certa forma, o El Niño estava "segurando" as chuvas no Nordeste. Agora que ele foi embora, a precipitação veio com tudo", explica o meteorologista.

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