Chegada da Tropa de Choque à Câmara surpreende sem-teto

Para pressionar a votação do Plano Diretor, manifestantes tocam vuvuzelas e se revezam no acampamento montado em frente à Casa

Bárbara Ferreira Santos e Diego Zanchetta , O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2014 | 18h45

Atualizada às 19h59

SÃO PAULO - Manifestantes dos movimentos sem-teto, acampados em frente à Câmara Municipal desde a segunda-feira, foram surpreendidos na tarde desta sexta, 27, com a chegada de um caveirão da Tropa de Choque. Para pressionar a votação do Plano Diretor, eles se revezavam nas vuvuzelas durante buzinaço na região quando o Choque chegou, por volta das 18 horas. 

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores sem-teto (MTST), Guilherme Boulos, ficou surpreso. "O que aconteceu? Por que eles (o Choque) estão aqui?", indagou a outros membros do movimento. O buzinaço ficou ainda mais forte e outros coordenadores do movimento pediram para que os manifestantes recuassem e se organizassem, evitando confronto. "Peçam ao líder de quem está buzinando para pararem", disse.

Os coordenadores conversaram com a Polícia Militar (PM), explicando que o ato não é violento."Nosso movimento é pacífico, tudo calmo. Vocês não vão ver black blocs aqui". Os manifestantes colocaram uma fita de isolamento no acesso à Rua Japurá, onde estacionou o Choque, para evitar confrontos. A manifestação continua pacífica. Para garantir que as buzinas não parem, os manifestantes se revezam para que cada um fique meia hora tocando enquanto outros descansam. 

Por volta das 19h50, depois de um forte estampido próximo à área da cozinha comunitária, perto de colchões onde estavam crianças, houve susto e grande movimentação entre os manifestantes. Muitos disseram que uma bomba pequena foi lançada de uma janela da Câmara. "Caiu perto de mim, onde tinha muita gente. Só não machucou por pouco", afirmou Luiz Carlos Costa, de 28 anos. O coro entre os manifestantes era: "não vamos entrar no jogo deles". 

O revezamento entre grupos ocorreu também durante a semana para que os acampamentos montados na frente da Câmara ficassem sempre cheios. "Vim aqui todos os dias e minha esperança é que a minha casa própria saia com esse projeto", afirmou a dona de casa Diana Silva, de 30 anos, que divide uma casa de um cômodo com o marido e 2 filhos. 

Desde a segunda-feira os manifestantes permanecem acampados no local e na galeria do plenário da Câmara. A promessa no início da semana era de que o projeto que reordena o crescimento da cidade pelos próximos 16 anos fosse votado até esta sexta. Representantes da oposição, no entanto, afirmam que a proposta deve ser adiada. Ainda não se sabe se ficará para a próxima semana ou até mesmo para o próximo semestre. 

"Até o momento o que está sendo levado para o plenário está de acordo com as propostas que a gente defende. Mas temos um problema: as propostas estão sendo acolhidas, mas os vereadores dizem que não tem tempo para votar hoje. Queremos que o plano seja votado hoje sim porque já perdemos tempo demais", disse Boulos.

O coordenador do MTST afirmou ainda que a manifestação não será interrompida. "Vamos continuar de forma pacífica. Os vereadores têm demonstrado boa vontade e o movimento tem maturidade para reconhecer. Houve o pedido de que, se a votação for adiada, a gente tire o acampamento e volte na segunda. Essas lonas, esses colchões e esses companheiros só arredam o pé daqui quando o plano for votado", assegurou Boulos. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.