Chega a 9 número de mortos pelas chuvas desta quinta em SP

Total de vítimas pelos temporais no Estado desde dezembro sobe para 59

Filipe Vilicic, Mônica Pestana e Renato Machado - O Estado de S. Paulo,

21 Janeiro 2010 | 16h43

Com a chuva que atingiu a cidade de São Paulo nesta quinta-feira, 21, chega a 59 o número de mortos pelos temporais no Estado desde o dia 1º de dezembro. Somente nesta quinta, nove pessoas morreram em deslizamentos de terra e desabamentos na capital e nas cidades de Mauá, Ribeirão Pires e Santo André.

 

Apesar de ter chovido menos que em 8 de dezembro, quando o transbordamento dos Rios Tietê e Pinheiros paralisou a capital, ontem, em nove horas de chuva, ruas viraram rios, bairros voltaram a sofrer com alagamentos. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), desde 1º de janeiro, choveu 316,9 mm em São Paulo, 32,5% a mais que a média histórica do mês, de 239 mm.

 

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Bombeiros retiram o corpo de uma das vitimas que morreu soterrada no Grajaú

 

No Grajaú, morrem pai, mãe e filha

 

Um deslizamento de terra na madrugada de ontem, no Grajaú, zona sul de São Paulo, matou pai, mãe e filha de 9 anos e deixou órfão um menino, de 6. O desmoronamento sobre um imóvel, onde havia duas residências, ocorreu por volta das 3 horas. Das sete pessoas da mesma família, cinco foram resgatadas com vida, mas a menina Rosângela Cardoso de Oliveira morreu no pronto-socorro. Os corpos de seus pais, José Nivaldo de Oliveira, de 37 anos, e Maria das Neves Cardoso, de 33, foram retirados da terra às 15 horas de ontem.

 

O imóvel está em área de risco. As famílias já haviam sido notificadas pela Defesa Civil Municipal, mas não haviam deixado o local porque ainda aguardavam pela liberação do auxílio aluguel da Prefeitura, previsto para 30 dias. A residência tinha dois andares e, segundo o sobrinho de uma das vítimas, Roberto Martins de Oliveira, de 18 anos, na casa de cima estavam Rosângela, duas primas e a tia, que sobreviveram. Embaixo, estavam José Nivaldo, Maria das Neves e o filho Everton.

 

O garoto foi resgatado pelo tio José Dionísio de Oliveira, de 44 anos, que narrou o desespero da criança. "Escutei a voz dele e chamei seu nome por diversas vezes. Ele estava bem, mas reclamava que sua perna doía muito", contou. Vizinhos e parentes se solidarizaram e ajudaram a salvar as vítimas antes da chegada dos bombeiros. A garçonete Joana Henriques Bezerra, de 31 anos, salvou um bebê e a mulher. "Escutei o barulho e vim correndo. Agora, tenho receio que aconteça o mesmo (um deslizamento) na minha casa."

 

O porteiro José Carlos Cardoso de Souza, marido da mulher sobrevivente e irmão de Maria das Neves, trabalhava no momento da tragédia. "Não sabia que a casa estava em área de risco", disse, emocionado, contrariando a informação repassada pela Prefeitura.

 

Grande SP tem 5 vítimas; mãe e filhas morreram

  

Um deslizamento de 50 metros de extensão ocorreu às 8h30, quando já não chovia mais, em Ribeirão Pires. Uma casa na Rua Anchieta foi atingida. Ana Alice de Oliveira Santos, de 36 anos, e suas duas filhas, Ana Maria, de 14, e Ana Lídia, de 7, estavam dormindo quando foram soterradas. O marido, o funcionário público Manuel Bispo dos Santos, havia saído para trabalhar. Ele ficou em estado de choque ao saber o que havia ocorrido.

 

Entre segunda e quarta-feira, o índice de chuvas em Ribeirão Pires foi de 120 milímetros. "Desde dezembro atendemos 500 ocorrências decorrentes das chuvas, principalmente deslizamentos e quedas de árvores. Mas o pior momento foi entre quarta e quinta-feira, quando foram registradas 80 ocorrências e tivemos esse caso, o primeiro com vítimas na cidade", afirmou a secretária de Comunicação, Vera Grazelli.

 

SANTO ANDRÉ E MAUÁ

 

De acordo com o Corpo de Bombeiros, em Santo André e Mauá as chuvas deixaram dois mortos na madrugada de ontem. Um homem de 47 anos foi soterrado na Rua Lamartine, Viela 7, Jardim Santo André, onde morava sozinho. A família não quis revelar sua identidade.

 

Em Mauá, houve deslizamento de terra na Rua Jair Donizete Bonassa, 361, Chácara Maria Francisca. Acionados por volta das 4h45, os bombeiros resgataram três feridos, levados para o pronto-socorro do Hospital Doutor Radamés Nardini. Uma das vítimas morreu. Nome e idade não foram divulgados. Sabe-se apenas que era uma mulher.

 

 

Casa desaba na Pompeia e mata aposentado

 

O aposentado Roberto de Fazzio, de 75 anos, morreu na madrugada de ontem após um desabamento na Vila Anglo Brasileiro, região da Pompeia, zona oeste da capital. A sua casa cedeu por causa da forte pressão da água da chuva, que desceu de uma encosta no sentido de sua propriedade. Ele estava sozinho na hora do acidente.

 

O desabamento aconteceu por volta das 2 horas. O terreno que pertencia ao aposentado fica bem em frente a uma rua íngreme e, portanto, a água da chuva desceu canalizada. Além disso, a casa ficava na base da área, onde também há uma encosta. Não houve deslizamentos de terra - a encosta é coberta por vegetação - mas a água desceu direcionada e com uma forte pressão contra a residência - que era formada por um quarto, cozinha e banheiro.

 

"Minha filha escutou um forte estrondo e saiu na laje. Depois, minha mulher chamou os bombeiros, mas já tiraram ele morto de lá", disse o manobrista Reinaldo Henrique de Sousa, de 45 anos, que mora em um sobrado ao lado. O corpo do aposentado foi retirado pouco depois das 4 horas.

 

Os vizinhos contaram que o aposentado viveu até dois meses atrás em uma outra casa no mesmo terreno e que não foi atingida, embora fique bem ao lado da que acabou destruída. "Quando eu vi a casa, achei que não tinha acontecido nada com ele, porque vivia na outra", contou o comerciante Sérgio Vasques Calçada, de 61 anos, também vizinho. "Depois fiquei sabendo que ele tinha mudado para tentar alugar a casa que era maior."

 

Apesar de não haver riscos de deslizamentos na área, a Defesa Civil Municipal interditou parcialmente outras três residências na mesma rua - a Rifaina - por causa da queda de um muro de arrimo.

 

 

Colaborou Damaris Giuliana

 

 

 

 

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