Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Chega a 61 o nº de veículos depredados durante greve de ônibus em São Paulo

De acordo com a SPTrans, veículos tiveram retrovisores e vidros quebrados, portas destruídas e pneus furados

Caio do Valle e Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2014 | 16h24

Atualizada às 22h23

SÃO PAULO - Mesmo com o apoio da Polícia Militar para a operação normal dos coletivos na capital paulista, pelo menos 40 ônibus municipais foram depredados por motoristas e cobradores favoráveis à paralisação, entre a manhã e o início da tarde desta quinta-feira, 22, de acordo com a Secretaria Municipal de Transportes (SMT). A São Paulo Transporte (SPTrans) registrou desde veículos que tiveram retrovisores e vidros quebrados até casos em que as portas foram destruídas e os pneus, furados.

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (SPUrbanuss) considera que a quantidade de carros danificados pode ser até maior. Segundo o sindicato, na quarta e na quinta-feira, 61 coletivos somente da empresa Sambaíba foram depredados.

Os problemas começaram nesta quinta pela Santa Brígida. Apesar de representantes dos trabalhadores da empresa terem fechado anteontem um acordo na Delegacia Regional do Trabalho (DRT) para suspender a paralisação, um grupo de dezenas de trabalhadores impedia a saída de veículos, por volta das 9h, arremessando pedras. Naquele momento, o grupo dissidente tinha o reforço até de alunos da Universidade de São Paulo (USP). Com cartazes, um grupo de 15 estudantes amanheceu na garagem e promete apoiar novas ações grevistas, Só depois da montagem de um cordão de isolamento pela Polícia Militar e de negociação com o gerente de Operações da Santa Brígida é que os coletivos passaram a sair.

Pneus furados. Conforme um funcionário da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), sete ônibus tiveram os pneus esvaziados por piquetes na Avenida Inajar de Souza, na zona norte. Na altura do número 1.145, no sentido centro, dois homens em uma moto abordaram um ônibus da Gato Preto, que seguia da Brasilândia para a Praça do Correio com passageiros, por volta das 8h40.

"A moto encostou na minha janela e um dos homens falou para eu tirar a mão do volante e ficar tranquilo. Depois, eles esvaziaram o pneu do lado esquerdo e foram embora", afirmou o condutor. De acordo com o cobrador, o ônibus estava lotado. "Acho que eles (os passageiros) não ficaram com medo, mas frustrados por não poderem seguir viagem."

Às 10h30, na frente do Terminal Cachoeirinha, era possível ver uma equipe de manutenção trocando o pneu de dois veículos. "Quando estava parado no semáforo, dois homens falaram para eu não mexer no ônibus e esvaziaram o pneu", disse um motorista, que preferiu não se identificar.

Um veículo da Sambaíba também teve o pneu esvaziado na Inajar de Souza. Segundo o motorista, que ia do Terminal Cachoeirinha para o centro, dois homens em uma moto esvaziaram o pneu do ônibus enquanto ele estava parado no semáforo. O coletivo estava cheio de passageiros, que tiveram de desembarcar. Às 11 horas, o ônibus ainda aguardava a equipe de manutenção para ter o pneu trocado.

No fim da tarde, a SPTrans informou que não havia registro de ataques a ônibus que estavam no Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência (Paese). Os veículos cobriram o trajeto de viações paralisadas. / COLABOROU VICTOR VIEIRA

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