Chega a 31 os municípios em situação de emergência em SP

Na madrugada desta sexta, 29, uma família morreu soterrada, elevando para 69 o número de mortes no Estado

Daniela do Canto, Ricardo Valota e Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

29 Janeiro 2010 | 02h12

Casa onde a família morava fica na Rua Hortência Escobar Nunes, em Francisco Morato

 

SÃO PAULO - Subiu para 31 o número de municípios do Estado São Paulo em situação de emergência devido aos temporais ocorridos desde o fim do ano passado, segundo boletim divulgado nesta sexta-feira, 29, pela Defesa Civil estadual.

 

Veja também:

linkDefesa Civil decreta estados de alerta e atenção para SP

linkComitê acusa Sabesp de ignorar alerta sobre níveis

forum Enquete do Garoa: 69 mortes na temporada de chuva: quem é responsável?

video TV Estadão: 'Este é o mês com maior chuva acumulada em 15 anos'

mais imagens Olhar Sobre o Mundo: Jardim Romano: Cidadania “encharcada”

 

Na noite desta quinta-feira, 28, três pessoas de uma mesma família morreram soterradas em meio aos escombros da casa onde moravam, atingida pelo deslizamento de terra de uma encosta em Francisco Morato, na Grande São Paulo. Com elas, sobe para 69 o número de mortes em decorrência das chuvas no estado desde o último dia 1º de dezembro.

  

Chega a 5.161 o número de desabrigados e de 19.855 pessoas afetadas pelas chuvas em todo o Estado, segundo o boletim. No total, 69 pessoas morreram. Sete cidades estão em estado de alerta para possíveis deslizamentos e alagamentos e estão sendo monitoradas pela Defesa Civil.

 

Os municípios em situação de emergência são Álvares Machado, Atibaia, Bofete, Bom Jesus dos Perdões, Caieiras, Caiuá, Capivari, Chavantes, Cotia, Ferraz de Vasconcelos, Franco da Rocha, Getulina, Guararema, Inúbia Paulista, Itapevi, Lucélia, Lourdes, Manduri, Mineiros do Tietê, Mirassol, Osasco, Oscar Bressane, Pardinho, Pracinha, Presidente Venceslau, São José do Rio Preto, São Lourenço da Serra, Santa Barbara D'Oeste, Santo André, Santo Antônio do Pinhal e Sumaré. Cunha e São Luís do Paraitinga estão em estado de calamidade pública.

 

No litoral norte, estão em alerta as cidades de São Sebastião e Ubatuba. No Vale do Paraíba são os municípios de Cunha, Guaratinguetá e São Luís do Paraitinga e no Grande ABC, as cidades de Mauá e Ribeirão Pires.

 

Francisco Morato

 

Os corpos das vítimas soterradas no deslizamento desta quinta-feira - identificadas, por enquanto, apenas como o casal Vagner e Iara e a filha adotiva Amanda, de 14 anos - foram resgatados pelos bombeiros por volta das 4h30 desta sexta-feira, 29. O deslizamento havia acontecido cerca de oito horas antes. Elas moravam em uma casa de fundos na Avenida Hortência Escobar Nunes, no Jardim Aparecida. Na residência da frente morava um outro filho do casal, com a esposa e duas crianças, de 4 e 6 anos. Os dois imóveis ficaram destruídos.

 

A família moradora da casa da frente ficou parcialmente soterrada. O homem conseguiu livrar-se dos escombros e retirar a mulher e os filhos do local, com a ajuda de vizinhos. Todos foram levados à Santa Casa da cidade. Apenas o homem sofreu ferimentos nos braços e nas pernas. Todos já tiveram alta e passam bem.

 

Assim que aconteceu o acidente, moradores das imediações se reuniram com pás e enxadas e começaram a cavar na tentativa de resgatar os corpos. "Foram entre 40 e 50 pessoas que passaram três horas e meia cavando. Os bombeiros chegaram mais de duas horas depois do acidente. Só paramos (de cavar) um pouco mais tarde, quando eles mandaram", relatou o motorista Ademar Silva Santos, de 49 anos.

 

Santos, que é bastante conhecido no Jardim Aparecida, foi avisado por vizinhos do deslizamento. Ele conta que, ao chegar ao local, ainda conseguiu ouvir gritos de Valter, que já estava soterrado. "Primeiro ele gritou: 'Amanda, Amanda' e depois gritou 'socorro'. Daí já não ouvimos mais nada".

 

Conforme Santos, a família toda havia se mudado para as duas residências no último sábado, 23. "Eles já moravam em uma casa própria, aqui no bairro, mas de um outro lado, perto do Parque 120. Então eles compraram essa casa aqui, que é mais barato, e alugaram aquela onde moravam antes", explicou.

 

Equipes do Corpo de Bombeiros de Guarulhos, São Paulo e Franco da Rocha trabalharam no resgate das vítimas. Cães farejadores também foram usados nas buscas pelos corpos.

 

Parte da Avenida Caetano de Ernesto Mezotero, que passa rente à parte de cima do barranco, também desabou. A via faz parte do itinerário do ônibus da Viação Moratense, linha Represa-Parque Santana. A via terá de ser interditada.

 

Prefeito é vaiado

 

O prefeito de Francisco Morato, José Aparecido Bressane (PT) foi recebido com hostilidade pelos moradores do Jardim Aparecida. Ele permaneceu no local por cerca de meia hora durante a madrugada, para acompanhar os trabalhos de resgate das vítimas, feitos pelo Corpo de Bombeiros. Os moradores vaiaram Bressane e cobraram providências para os locais afetados pelas chuvas.

 

"Temos dificuldade porque toda a cidade está nessa situação", disse o prefeito. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, no último mês foram atendidas mais de 200 ocorrências diversas em Francisco Morato em decorrência das chuvas. A corporação agora trabalha em um mapeamento das áreas de risco.

 

Durante a madrugada, outros dois deslizamentos atingiram a cidade: na Rua Paraná, no Parque 120 e na viela 2, na Rua Margarida, Jardim Rosa. Este último deixou uma pessoa ferida. Willian Silva de Oliveira morava em uma casa construída na encosta de um morro. Ele foi levado, consciente, à Santa Casa da cidade, com um ferimento na cabeça. Ainda de madrugada, Oliveira deveria passar por uma tomografia para avaliar a extensão das possíveis lesões.

 

 

Mais conteúdo sobre:
chuva morte

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.