José Antônio Teixeira/Alesp
José Antônio Teixeira/Alesp

Chefe interino da Polícia Civil defende mudança

Novo delegado-geral convocou entidades de classe para informar apoio à troca de secretaria. Governo ainda estuda como realizar transferência

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2018 | 03h00

O novo delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Júlio Gustavo Vieira Guebert, há uma semana no posto de forma interina, decidiu apoiar a intenção do governo do Estado de transferir o órgão da Secretaria da Segurança Pública para a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. Seu antecessor, o delegado Youssef Abou Chahin, deixou o cargo com críticas veladas ao governador Márcio França (PSB) e discordando da alteração, que ainda está em discussão.

Guebert formalizou o apoio à mudança de secretaria nesta semana ao convocar representantes de associações de classe para informar sobre a votação favorável que a medida havia alcançado no Conselho da Polícia Civil. “A decisão foi de apoio à mudança. Temos a cúpula da Polícia Civil compartilhando da mesma opinião das entidades de classe”, disse a presidente do Sindicato dos Delegados, Raquel Kobashi Gallinati.

O Estado apurou que, apesar do apoio, Guebert faz ressalvas sobre o formato da mudança e é favorável que também seja transferida a Polícia Técnica, órgão da Secretaria da Segurança responsável pelas perícias em cenas de crime, por exemplo, que tem um trabalho próximo ao realizado pelos policiais civis. Além disso, o delegado-geral se une às entidades de classe para pedir por um orçamento maior para a corporação.

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A medida estudada pelo governo poderá ocorrer por meio de um projeto de lei complementar, que seria enviado para a Assembleia Legislativa. A gestão Márcio França (PSB) está levando em consideração pareceres de que, sendo feita com a ratificação da Assembleia, a mudança viria acompanhada de segurança jurídica, tornando-se também menos suscetível de ser revertida em novas gestões. 

Divergências

A posição de Guebert vai de encontro com o que defendia Youssef Abou Chahin. O ex-delegado-geral deixou o posto com críticas ao que classificou como tentativas de interferência ao trabalho adequado do órgão. “Sempre agi, é bom que se diga, visando a proteger a Polícia Civil dos que nela procuraram interferir esquecendo-se de que a Constituição Federal fala claramente ser a Polícia Civil dirigida por delegados de polícia de carreira - aliás, se quiserem aproveitar, o concurso foi autorizado e as inscrições encontram-se abertas - bem como daqueles que, sem competência reconhecida, correm atrás de padrinhos buscando cargos”, escreveu em carta cujo teor foi publicado pela Folha de S. Paulo. 

Nessa quarta-feira, 18, após a repercussão dada à divulgação, Chahin veio a público, recuou e disse jamais ter recebido por parte de França solicitação de interferência. “Minha carta é de agradecimento aos meus colegas de profissão, ao tempo dedicado à instituição e, principalmente, ao período em que fui titular da Delegacia-Geral.”

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