Chefe do PCC também morreu em ação

Iago Lopes liderava criminosos na região de Jundiaí, tinha 20 anos e era conhecido como 'Príncipe'; enterros foram pagos pela facção

WILLIAM CARDOSO, RICARDO BRANDT , O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2012 | 10h15

O líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Jundiaí, Iago Felipe Andrade Lopes, de 20 anos, o "Príncipe", está entre os nove mortos na operação das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), realizada na terça-feira em uma chácara de Várzea Paulista. Ele havia sido preso uma única vez sob a acusação de roubo. Era envolvido, porém, desde a adolescência com o tráfico de drogas.

Príncipe era, segundo pessoas ligadas aos criminosos, o "sintonia" da facção criminosa. Nessa função, era responsável por repassar ordens do comando e fazer julgamentos do "tribunal do crime", como o que fora feito na chácara. Nessa ocasião, os bandidos teriam "inocentado" Maciel Santana da Silva, de 21 anos, da acusação de estupro de uma menina de 12 anos. Ele, porém, foi morto pela Rota - o boletim de ocorrência diz que Silva reagiu.

O líder do PCC na região morava no Jardim Santa Branca, em Campo Limpo Paulista, mas tinha como base um conjunto habitacional de 83 blocos no bairro Cecap, em Jundiaí. Príncipe assumiu o comando da área depois de um comparsa ser preso no primeiro semestre em um roubo.

O enterro de Príncipe e dos demais acusados mortos pela Rota pertencentes ao PCC foram pagos pela facção criminosa, segundo familiares dos bandidos.

Investigação. Ontem, a Polícia Civil concluiu os depoimentos do inquérito que vai apontar se foi legítima a operação da Rota. O delegado Marcel Fehr, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí, ouviu o dono da chácara alugada por bandidos. Benedito Aparecido Nechita, de 57 anos, confirmou o que dissera a jornalistas anteontem.

Segundo ele, quatro homens e uma mulher o procuraram na noite anterior à operação pedindo para alugar a chácara para passar um dia no local. Nechita, que é candidato a vereador, disse que cobrou R$ 200, que o grupo insistiu para que ele fosse até o local na noite anterior para abrir a chácara e que era a segunda vez que ele era procurado.

Foram ouvidos também cerca de 20 policiais e outras sete pessoas - os cinco criminosos presos e a família da menina que teria sido abusada. O delegado seccional de Jundiaí, Ítalo Miranda Júnior, afirmou que, após esses últimos depoimentos, a polícia vai esperar a conclusão dos laudos periciais para entregar o relatório do inquérito policial ao Ministério Público Estadual (MPE). Duas promotoras foram designadas para o caso: Patrícia Tieme Momma e Regina Gomes Cavallini.

Segundo o delegado, os depoimentos são importantes, mas só as conclusões do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico-Legal (IML) poderão apontar se houve excesso da Rota, se os tiros que mataram o "julgado" partiram das armas de PMs e se houve resistência. Participaram da ação cerca de 40 policiais e nenhum ficou ferido.

Violência. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi procurado para comentar o aumento da violência policial - reportagem publicada ontem pelo Estado revela que a Rota registrou no primeiro semestre do ano o maior número de mortes desde 2006, quando ocorreram os ataques do PCC. Alckmin destacou que em julho deste ano já houve redução nos homicídios em geral.

"Qualquer indicador que utilizar mostra que diminuiu. (Os dados de) agosto vamos divulgar no dia 25 de setembro. É um trabalho permanente, todo dia tem de vencer uma batalha." A Rota matou 60 pessoas no primeiro semestre - em 2006, foram 67. / COLABOROU CAMILA BRUNELLI

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