Chefe de fiscais em S. Mateus culpa falta de estrutura por tragédia

Segundo ele, sete agentes vistores são responsáveis por toda a subprefeitura; dez morreram no acidente

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2013 | 02h04

Em depoimento ontem na Comissão de Política Urbana da Câmara Municipal, o engenheiro Alfredo Consiglio Carrasco, coordenador de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Subprefeitura de São Mateus, culpou a falta de estrutura do órgão pela não fiscalização da obra que desabou, matando dez pessoas, na semana passada.

Servidor municipal desde 1991 e lotado há 5 anos em São Mateus, na zona leste, Carrasco também disse que estava no cargo "a contragosto" e que faltam fiscais no órgão, onde estão lotados sete agentes vistores. "Dois precisam fazer (a fiscalização das) feiras", pontuou. "Há falhas gritantes (no trabalho de fiscalização)", emendou Carrasco.

Ele disse ainda que nunca passou pela obra que desabou e que estava embargada pela Prefeitura.

Subprefeito. O coordenador assumiu a função de chefe da fiscalização em fevereiro. Antes, era supervisor de licenciamentos na mesma subprefeitura. "Esse cargo de coordenador (da fiscalização) ficou vago por cinco meses. Não havia ninguém para coordenador o trabalho de fiscalização."

O subprefeito de São Mateus, Fernando Elias, também foi à Câmara ontem. Ele afirmou que não era sua função administrativa fazer a fiscalização da obra irregular. Os depoimentos provocaram indignação nos parlamentares.

"É inadmissível que vocês culpem a falta de estrutura. Tem de acabar com a 'cultura do sofá' nas subprefeituras. O subprefeito precisa rodar, conhecer o bairro e as principais obras que estão em andamento na sua região", criticou o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), ex-secretário de Coordenação das Subprefeituras e presidente da Comissão de Política Urbana. "Pelos relatos trazidos à comissão, há falhas graves de estrutura na Prefeitura", afirmou o vereador Nabil Bonduki (PT).

Para Police Neto (PSD), os depoimentos reforçam a necessidade de abertura de uma subcomissão para investigar o acidente em São Mateus. "Não tem muito nexo esse juntado de coisas que foram argumentadas. O que percebemos é que todo mundo estava vendo (a obra embargada), todos conseguiam enxergar, mas muitos não queriam."

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