Chefe da máfia do ISS pode ter alterado licitação

Procedimento vai investigar se suposto líder da quadrilha ajudou empresa a vencer contratação da gestão Haddad no setor de transportes

Bruno Ribeiro, Fabio Leite e Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2014 | 02h02

O Ministério Público Estadual (MPE) investiga se o auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como líder da máfia do Imposto sobre Serviços (ISS) em São Paulo, ajudou a alterar o resultado de uma licitação da gestão Fernando Haddad (PT). O atual secretário adjunto de Transportes, José Evaldo Gonçalo, também é investigado em procedimento aberto pela Promotoria do Patrimônio Público e Social.

Segundo depoimento de uma testemunha protegida colhido pelo MPE no fim de 2013, Ronilson havia sido contatado por um amigo chamado Carlos Sasaki para que uma empresa não fosse desclassificada de uma licitação da Prefeitura. O encontro entre os dois teria ocorrido no chamado "ninho" - uma sala comercial no Largo da Misericórdia, no centro, que servia como escritório da máfia, segundo a investigação.

Após a conversa, Ronilson teria procurado o secretário adjunto. "Evaldo indicou uma pessoa para Ronilson conversar, que era a responsável pela licitação. Ronilson contou ter tido êxito na conversa, pois a empresa de interesse de Sasaki acabou sendo agraciada com algum lote menor na licitação", diz o depoimento da testemunha.

Em 2013, após deixar a Secretaria Municipal de Finanças, Ronilson foi nomeado para a diretoria de arrecadação da São Paulo Transporte (SPTrans), onde ficou até junho, quando já era investigado pelo MPE e pela Controladoria-Geral do Município (CGM). No período, o fiscal chegou a integrar comissão especial criada para reavaliar as licitações herdadas da gestão Gilberto Kassab (PSD) no setor de transportes.

Depoimento de outra testemunha protegida ao MPE diz que Evaldo avisou Ronilson que o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, ia demiti-lo e dar "algumas justificativas falaciosas" para sair, "mas que na verdade o real motivo era a existência de uma investigação contra ele no MPE. O secretário adjunto teria ainda orientado Ronilson "que se cuidasse".

Licitação. Em agosto de 2013, a Prefeitura assinou contrato para a construção de corredores de ônibus no valor de R$ 150,4 milhões com a construtora Heleno & Fonseca, cujo diretor corporativo e administrativo chama-se Carlos Zanhiti Sasaki. A licitação foi tocada pela SPObras, empresa municipal responsável por construções. A gestão Haddad afirma que esse era um contrato antigo, que não tem relação com as denúncias. A Prefeitura informou que já investigou o caso e constatou que a empresa defendida por Ronilson não venceu a licitação.

O Estado tentou, sem sucesso, contato na noite de ontem com Ronilson, Sasaki e com a empresa Heleno & Fonseca.

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