Chefe da Educação terá de reformar rede, elevar qualidade e dialogar com alunos

Sucessor de Voorwald na gestão Alckmin receberá projetos inconclusos, como a reorganização escolar, o currículo do ensino médio, o plano salarial dos professores e a rede em período integral; pasta deverá convocar audiências públicas para aprovar propostas

Luiz Fernando Toledo, Paulo Saldaña e Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2015 | 19h04

Entre outras urgências estão a melhoria dos indicadores educacionais, principalmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, a aprovação do Plano Estadual de Educação (PEE) e a reformulação do currículo escolar. Voorwald já havia anunciado a previsão de mudanças na grade do ensino médio para o próximo ano, mas a ideia não avançou. O debate em 2016 sobre a reorganização, já previsto pelo governo, será outro entrave.

A imagem da secretaria na opinião pública também terá de ser reconstruída. Para o professor Ocimar Alavarse, da Universidade de São Paulo (USP), a pasta sai “desmoralizada” após a frustração da reorganização e a série de protestos, o que dificulta ações futuras, caso não haja um diálogo real. “Forçosamente terão de fazer audiências públicas e trazer vários setores para o debate”, diz ele.

Até anteontem, havia 196 escolas ocupadas em protesto contra a reforma – que previa fechar 93 colégios e transformar 754 unidades em ciclo único, com a transferência de 311 mil alunos. A rede paulista é a maior do País, com 3,8 milhões de alunos e 5 mil escolas.

Professores. Neste ano, os 230 mil professores da rede ficaram sem reajuste. A categoria fez a maior greve da história, no primeiro semestre. Nesse contexto, para Nilson José Machado, também da USP, a valorização da carreira docente deverá ser prioridade do próximo secretário da Educação.

“Não é só aumentar o salário. Ao melhorar as condições de trabalho, será possível atrair profissionais mais capacitados e garantir a permanência dos que já estão na rede”, diz Machado. O novo titular da pasta terá o trabalho de reconquistar a confiança também da categoria. “Não adianta colocar um político sem entender a complexidade da educação básica. É preciso alguém do ramo, que consiga liderar os professores.”

A Apeoesp, principal sindicato dos docentes, puxou os primeiros atos contra a reorganização. Com o avanço das ocupações, a entidade se tornou coadjuvante. A direção do sindicato vê, no entanto, oportunidade para fortalecer sua pauta. “Queremos o perfil que o governador disse que o secretário teria quando assumiu seu primeiro mandato, em 2011. Alguém com perfil de professor, que dialogasse com a categoria. Não foi o que aconteceu na prática, já que o secretário (Voorwald) teve posições mais duras e mais austeras”, afirma Maria Izabel Noronha, presidente da entidade.

Integral. Outro obstáculo do novo gestor será o avanço da educação integral. Ainda falta muito para o Estado atingir a própria meta, que é de mil escolas de jornada ampliada até 2018. No próximo ano, a gestão promete chegar a 532 unidades no formato – 10,3% da rede.

O Plano Nacional de Educação (PNE) prevê metade das escolas públicas com educação integral em 2024. Estima-se que essas unidades custem cerca de 70% mais do que colégios comuns. Uma das críticas recebidas ao projeto de reorganização foi a falta de previsão da ampliação da modalidade.

Além do tempo na escola, o conteúdo das disciplinas é um desafio. Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), afirma que não é possível pensar uma reformulação sem olhar para o currículo. “A reorganização não pode ficar em cima dos prédios, dos ciclos. O ponto principal é o currículo, uma grade que tenha projeto de atendimento para que os alunos de fato aprendam. E o Estado ainda está longe disso”, diz.

No índice de qualidade – o Idesp –, a rede teve alta em 2015, mas ainda está distante do ideal. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o índice é de 4,76 (meta de 7 para 2030); nos finais, de 2,62 (meta de 6); e no médio, 1,93 (a meta é 5).

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