Chefe da comissão de violência deixa FMUSP

Paulo Saldiva se afastou de cargo na Faculdade de Medicina após relatosde estupros; para ele, a instituição 'está doente e precisa de cuidados'

O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2014 | 02h02

O professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Paulo Saldiva deixou o cargo na instituição. Presidente da comissão que investiga denúncias de violência na universidade, Saldiva tomou a decisão após ouvir os relatos de alunos sobre estupro, homofobia e machismo em festas da instituição, em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, na terça-feira. A informação da saída do professor foi revelada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo.

Em entrevista à Rádio Estadão, onde também é colunista, Saldiva disse ontem que a decisão foi resultado de "um processo de longa reflexão de alguns anos" e que saiu com licença-prêmio para desenvolver projetos. "Fiquei surpreso", afirmou. Para ele, a faculdade está "doente". "Assim como a gente adquire novos hábitos quando adoece, a faculdade está precisando de ajuda. E os professores têm de atribuir a eles mesmos esta tarefa. É uma cultura institucional que precisa ser modificada." Segundo o professor, os trabalhos da comissão de violência estão finalizados. Na quarta, a FMUSP anunciou a criação de um centro de defesa dos direitos humanos. "Temos de reforçar os conteúdos de respeito à dignidade humana. Vamos ter de nos transformar em um centro de referência para as outras unidades da USP."

Protestos. Servidores técnico-administrativos de ao menos três setores da USP protestaram contra os casos de estupro. Trabalhadores dos restaurantes, do Hospital Universitário e da Odontologia divulgaram imagens no Facebook com frases de repúdio em cartazes. "Estou há 37 anos na USP e nunca vi uma situação dessas. Não é uma situação isolada", afirmou o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP, Magno de Carvalho. Segundo o sindicalista, a situação não se restringe às festas, mas há riscos no câmpus. "Há áreas escuras na universidade. A guarda universitária está com menos de 30% do efetivo que deveria ter."

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