Reprodução/Facebook
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Chef suíço do hotel Hyatt é assassinado

Segundo a polícia, Nicolas Dornaus teria reagido ao ser abordado por dois homens que queriam sua moto; ladrões fugiram sem levar nada

Camilla Haddad e Fabiano Nunes, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2011 | 00h00

O chef de cozinha suíço Nicolas Friedrich Hans Dornaus, de 40 anos, foi assassinado com um tiro por ladrões anteontem à noite, em Interlagos, zona sul de São Paulo. Dornaus trabalhava no Hotel Grand Hyatt, no Morumbi, também na zona sul.

Segundo a polícia, Dornaus, que nasceu em Zurique e morava no Brasil desde 1975, voltava de motocicleta para casa na noite de domingo, quando, por volta das 23h30, parou em um semáforo na Avenida Rio Bonito, na altura do número 3.000. Logo em seguida, ele foi abordado por dois homens em uma moto.

Segundo testemunhas, não havia movimento na via no momento do crime. Para o delegado titular do 102.º Distrito Policial (Capela do Socorro), Paulo Arbues Andrade, a vítima pode ter tentado fugir ao ser abordada e acabou sendo baleada nas costas. Segundo a polícia, o modelo da moto de Dornaus, uma Yamaha Fazer, é visado por assaltantes.

Policiais militares levaram o chef ao Hospital Regional, mas ele morreu durante uma cirurgia. Os ladrões fugiram sem levar nada. A moto de Dornaus ficou no meio da rua. Ao lado dela, a polícia encontrou cartões bancários da vítima, documentos, celular e dinheiro.

Segundo Andrade, parentes afirmaram que a vítima não tinha inimigos. "O que foi dito é que ele era uma pessoa pacata, sem inimizades", afirmou. A polícia descartou a hipótese de execução, argumentando que nesse tipo de crime geralmente são disparados vários tiros contra a vítima, o que não aconteceu com Dornaus. O caso foi registrado como latrocínio no 102.º DP e encaminhado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Um de seus irmãos, o pediatra Cristian Dornaus, ficou sabendo do crime por um funcionário do Hyatt. Ontem, no Instituto Médico-Legal (IML), ele não conseguia falar do irmão sem chorar. "Não dá para falar. Dói muito." O enterro está marcado hoje, às 8h, no Cemitério Congonhas.

Perfil. Dornaus era formado em cozinha internacional pelo Senac. Fez pós-graduação em Administração de Empresas pela Universidade da África do Sul. De acordo com nota do Hyatt, trabalhou no hotel de novembro de 2007 a fevereiro de 2009. Retornou em julho de 2010, quando passou a desempenhar a função de chef de partie, segundo na hierarquia após o chef principal. Ele fazia banquetes da área de eventos do hotel. Além da gastronomia, Dornaus era apaixonado por barcos, tênis e saxofone.

Para homenageá-lo, foi criada uma página no Facebook com o objetivo de mobilizar os amigos cozinheiros de Dornaus espalhados pela cidade. A ideia é fazer um protesto na próxima segunda-feira: eles ficarão cinco minutos em silêncio em suas cozinhas, sem mandar nenhum prato aos clientes, com fogões e fornos desligados.

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