Chapéus são recursos de estilo cada vez mais usados

As passarelas são testemunha do esforço dos estilistas em badalar o chapéu. Tanto que, além do acessório, os arranjos de cabeça têm sido cada vez mais usados como recurso de styling. Nesta temporada inverno 2012, a Neon encomendou modelos geométricos impactantes para a famosa chapeleira Sabrina Grebinski; André Lima, como faz em todas as temporadas, deixou para o stylist Davi Ramos a tarefa de criar o que as modelos terão sobre as cabeças no desfile que encerra, hoje, esta São Paulo Fashion Week. Famoso por incluir chapéus nos ensaios de moda que faz com Flávia Pomianovski, Davi também transformou em item fashion capacetes de rúgbi para a estreia da R.Rosner.

SILVANA HOLZMEISTER, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2012 | 03h01

"Adoramos incluir acessórios de cabeça em nossos desfiles", diz o estilista e stylist Dudu Bertholini sobre o elemento que ele e a estilista Rita Comparato transformaram em uma das marcas registradas da Neon. Para o desfile no Teatro Tucarena, que abrirá este último dia de São Paulo Fashion Week, a dupla vai usar chapéus gráficos em cores fortes feitos de tela levíssima. Foi um desafio criar os sete chapéus que estarão no desfile da Neon, de acordo com Sabrina, já que eles chegam a 80cm de altura. Ela conta que foi preciso um mês de dedicação exclusiva à encomenda. A essa, somam-se outras quatro coleções em parceria com a dupla de estilistas.

No mercado há cerca de 40 anos e com um acervo de 2 mil itens no ateliê no bairro do Planalto Paulista, na zona sul, Sabrina comemora a volta do chapéu, ao menos nos eventos sociais. "Tenho observado aumento de cerca de 30% nas encomendas nas classes A e B", explica ela, que também atende a marcas como Huis Clos e Animale.

No passado, os costureiros Clodovil e Denner Pamplona eram clientes assíduos. Manequim na década de 1950, Sabrina apaixonou-se pelos chapéus e aprendeu em Paris a técnica artesanal de moldar as peças, hoje raras no Brasil.

Para a estreia da R.Rosner, o estilista Rodrigo Rosner também apostou no acessório. Seus vestidos de festa foram arrematados por capacetes de rúgbi ricamente adornados, feitos pelo stylist Davi Ramos, que também assina criações para André Lima.

Na Cavalera, o chapéu foi a pièce de resistènce para caracterizar o faroeste urbano que tomou conta da coleção. O modelo de feltro preto, típico dos peões boiadeiros, ganhou penas e amarração de corda na mesma cor.

Descrevendo-se como viciado por chapéus e dono de uma coleção com mais de 200 modelos que já viraram inclusive decoração do seu apartamento em Moema, Davi parte de materiais existentes para montar peças destinadas apenas ao show na passarela ou aos momentos de sonho dos ensaios de moda. O primeiro, conta, foi desenvolvido há 15 anos, quando ele e Flávia Pomianovski, parceira de styling, precisaram de um casquete. Desde então, esse exercício criativo só cresceu. "A moda vai e vem, porém o chapéu é um clássico", avalia.

Nas passarelas internacionais do verão 2012, os chapéus foram recorrentes. Ralph Lauren e John Galliano investiram na proposta para fortalecer a atmosfera da década de 1920, tendência que também vem norteando várias das coleções neste SPFW, como a da Maria Bonita.

André Lima, que só vai saber o que Davi Ramos criou pouco antes do desfile, confia no poder de um bom acessório de cabeça para fazer do produto roupa um objeto de desejo.

"Ele trabalha comigo há muitos anos e adoro o elemento surpresa, que considero inerente ao processo de criação", afirma o estilista, para quem chapéus e outros adereços de cabeça exuberantes têm espaço garantido apenas nas personagens vividas na passarela. "Nem toda mulher pode usar. É questão de proporção."

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