Champanhe ou espumante?

No mercado há boas marcas nacionais, curiosidades da Itália e Espanha e garrafas francesas de safras especiais

Valéria França, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2010 | 00h00

Nesta época, supermercados e adegas aumentam a variedade dos estoques de champanhes, cavas e espumantes. E lançam promoções tentadoras - e nem sempre honestas. Para que ninguém leve gato por lebre, Arthur Azevedo, professor da Associação Brasileira de Sommeliers, dá dicas que podem ajudar na hora da escolha.

Champanhe. "Quem decide pelos vinhos da região de Champagne não tem muito com o que se preocupar. Eles são sempre bons", diz Azevedo. "Para ganhar essa denominação, a bebida passou por rigoroso controle de qualidade." Líder de mercado, a Veuve Clicquot, por exemplo, tem garrafas a partir de R$ 200. Outra marca conhecida, a Dom Pérignon, lançou a Warhol Special, de 750ml, que sai por R$ 749 no Empório Santa Maria. E a Cristal Brut Louis Roederer, na loja virtual Imigrantes, sai por R$ 1.699.

Exclusivas. Se a ideia é brindar sem se preocupar com o preço da bebida, Azevedo indica rótulos mais exclusivos, como os produzidos pela Maison Krug, do grupo LVMH, holding francesa especializada em artigos de luxo, formada pela fusão de Moët Chandon, Hennessy e Louis Vuitton. Principal característica do champanhe, a fermentação inicial ocorre em barris de carvalho e não de aço inox, como na maioria das casas. Ele indica a Krug 1998, raridade produzida com uvas da mesma safra. Custa R$ 1.800 na Casa do Porto.

Espumantes. "Há quem pense que todo espumante francês é bom. Isso é lenda", explica Azevedo. "Alguns têm preço atraente - R$ 25, a garrafa -, mas não têm necessariamente qualidade." Para quem vai receber convidados em casa, Azevedo lembra do espumante nacional.

"O Salton Reserva Ouro é um exemplo de bom custo-benefício." No site da vinícola, a caixa com seis garrafas sai por R$ 159. "Um pouco mais caros, o Casa Valduga 130 (R$ 55,92) e o Chandon Brut Rose (R$ 55,94), também valem a pena." Outro rótulo de sua lista, o Cave Geisse, custa R$ 47.

Nessa mesma faixa de preço, há os vinhos espumantes da Catalunha, Espanha, as Cavas. "A Chozas Carrascal Brut sai em média por R$ 48", diz Azevedo. "Ótima cava é a Gramona Imperial." Sai por R$ 112 na Casa Flora.

O teste. Como analisar se um espumante desconhecido é bom? "A bebida tem de ser leve, frutada e com boa acidez. É o modelo exato para festas", diz Azevedo. E, para quem não consegue reconhecer nenhuma dessas qualidades, a dica é tomar um gole e perceber se deixou um frescor e um leve sabor de fruta na boca. Para uma festa, um espumante tem de ser simples. "Ninguém vai a uma festa para testar a qualidade de uma bebida. As pessoas comem e bebem muito para analisá-la", diz o especialista."O espumante precisa ser agradável e saboroso."

O COPO ADEQUADO

A tradicional taça flûte, a primeira da foto, está em desuso. "É muito estreita e não deixa espaço para os aromas se desenvolverem no copo", diz Arthur Azevedo.

A taça que segundo ele vai tomar conta das festas é a terceira da foto, mais bojuda e alta que a primeira. "Ela tem a boca estreita e a base mais larga. A bebida deve ser servida até a metade do copo, deixando espaço para que o aroma reaja com o ar, intensificando o buquê. O segundo modelo também é bom, porém mais indicado para degustações.

A última, a menor de todas, foi totalmente reprovada por Azevedo. "Ela tem a boca muito larga. Eu não beberia um bom champanhe nela."

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