Chamativa, nova farda da GCM vira polêmica

Guardas-civis têm medo de que, em meio à onda de violência em São Paulo, uniforme de cores fluorescentes os transforme em alvo de bandidos

RAFAEL ABREU , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2012 | 02h03

Em azul e amarelo fluorescente, com faixa quadriculada em preto e branco, o novo uniforme da Guarda Civil Metropolitana torna os guardas alvo fácil em situações de risco. Pelo menos foi essa a reclamação feita ao 'Estado' por agentes que acham que o desenho chamativo do colete à prova de balas os deixa em desvantagem em operações noturnas e perigosas. O temor aumenta em meio à onda de violência que já matou 94 policiais neste ano no Estado.

Segundo os guardas, o maior problema do novo uniforme é a cor berrante. "Ele não é apropriado para todas as situações. Em um local ermo ou escuro, o GCM fica muito em destaque", diz um deles. Uma agente conta que, durante operação em uma favela da zona sul, muitos guardas optaram por tentar disfarçar a vestimenta. "Todos usavam o agasalho por cima, para ficarem mais camuflados." Ao contrário do uniforme, o casaco da GCM ainda não foi reformulado.

O presidente do Sindicato dos Guardas-Civis Metropolitanos de São Paulo, Carlos Augusto Sousa, diz que o uso indiscriminado do novo uniforme é um "equívoco administrativo". Para ele, o colorido só faz sentido em eventos de grande porte, por facilitar a identificação dos agentes para a população, principalmente turistas.

Visível. Já a Secretaria Municipal de Segurança Urbana declarou, em nota, que o novo modelo segue padrão mundial, adotado em cidades como Madri e Londres. E a vantagem é justamente a visibilidade do uniforme: "A cor amarelo-flúor facilita a visualização do agente, principalmente em ambientes de menor luminosidade e a longa distância".

O novo uniforme foi instituído por três portarias publicadas em maio pelo secretário municipal de Segurança Urbana, Edsom Ortega, mas só foi utilizado pela primeira vez no Desfile Cívico e Militar de 7 de Setembro. Além da camisa e da capa do colete balístico, as portarias também reformularam a identidade visual dos veículos da Guarda. Até agora, 4.500 capas de colete e 600 camisas foram compradas. A GCM tem hoje cerca de 6.400 agentes.

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