Chacina reflete dois dramas crescentes nas ruas da cidade

Mais do que um problema policial, a chacina de ontem reflete o tamanho do desafio que há nas ruas de São Paulo. Se proporcionar o retorno de moradores de rua às famílias já era missão difícil, com o crescimento do uso do crack nessa faixa da população a tarefa ficou ainda mais complicada. Autoridades não sabem sequer quantas pessoas vivem na rua. No censo de 2000, chegou-se a 8 mil. Este ano, o censo foi refeito, mas os detalhes não foram divulgados. Entidades estimam que a população de rua já passa dos 15 mil.

Cenário: Bruno Paes Manso e Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2010 | 00h00

A venda do crack, por sua vez, espalha-se por São Paulo e a apreensão da droga tem crescido. Segundo o Departamento de Narcóticos, o Primeiro Comando da Capital, principal distribuidor, aposta hoje na venda das pedras, mais lucrativas e fáceis de transportar.

No lado da assistência social, a atual gestão optou por trabalhar com moradores de rua em tendas durante o dia. E, na cracolândia, policiais e guardas tentam levar usuários de crack para centros de atendimento à saúde. Mas o total de vagas é insignificante diante do tamanho do desafio. Sem grandes avanços, o drama acaba sendo cada vez mais empurrado para a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar. Sem solução no horizonte, apela-se para mais violência.

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