Chacina em Goiás: dois são presos no velório das vítimas

A Polícia Civil de Goiás prendeu três suspeitos de participar da chacina de sete pessoas, no sábado, na fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Doverlândia, interior de Goiás - incluindo dois parentes e conhecidos das vítimas, detidos dentro do velório.

RUBENS SANTOS , ESPECIAL PARA O ESTADO , GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2012 | 03h04

Na chacina foram degolados Lázaro de Oliveira Costa, de 57 anos, dono da fazenda e ex-presidente do Sindicato Rural de Doverlândia; Leopoldo Rocha Costa, de 22, filho do fazendeiro; Heli Francisco da Silva, de 44, vaqueiro da fazenda; Joaquim Manoel Carneiro, de 61 anos, amigo de Lázaro; Miraci Alves de Oliveira, de 65, mulher de Joaquim; Adriano Alves Carneiro, de 24, filho do casal; e Tâmis Marques Mendes da Silva, de 24 anos, noiva de Adriano.

O primeiro a ser preso, anteontem, foi Aparecido Souza Alves, de 23 anos. Localizado na casa de seus pais, em Doverlândia, ele confessou ter recebido R$ 700 de adiantamento, e promessa de ganhar R$ 50 mil após a execução. Ex-empregado da fazenda, entregou armas usadas, um par de tênis e uma carabina pertencentes às vítimas. Também denunciou o restante da quadrilha.

Outros dois suspeitos de participação na chacina são ligados ao fazendeiro morto. "Alcides do Supermercado", é o ex-futuro sogro do filho, Leopoldo. E Célio Juno Costa da Silva é sobrinho da vítima. Ambos foram presos no velório, em Frutal, no Triângulo Mineiro. Alcides e Célio negaram participação no crime. Mesmo assim, tiveram as prisões decretadas pela Justiça, ao lado de Alves. A dupla foi transferida ontem para Goiânia.

A polícia ainda busca um quarto suspeito, identificado como José Ribeirãozinho. Adriana Accorsi, diretora-geral da Polícia Civil, deve divulgar hoje as circunstâncias do crime. "Todas as pessoas indicadas pelo Aparecido estão sendo detidas, interrogadas e seus álibis verificados."

Ela afirmou que os depoimentos também estão sendo confrontados com os levantamentos periciais e o material coletado no local da chacina. A motivação do crime ainda é investigada.

Nos depoimentos, um policial relatou que Aparecido Alves não mostrou culpa nem remorso. E, embora assuma a ação, culpa outras pessoas e demonstra total insensibilidade em relação às que foram mortas por ele.

Rixa. Inicialmente, acreditava-se em uma rixa. Alves, que mora em Doverlândia, mas trabalha em Brasília (DF), confirmou que seu pai - cujo nome não foi divulgado - tem uma gleba de terras próxima da fazenda de Lázaro Costa. Mas a gleba não seria motivo de disputa.

Vizinhos da família disseram, em Doverlândia, que Alves foi funcionário da fazenda, há quatro anos, e teve "entreveros" com o dono. O sobrinho também teria uma rixa com a família. O crime ainda assusta a cidade, pacata, que não tem delegacia nem polícia - só um destacamento da PM.

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