Felipe Resk/Estadão
Felipe Resk/Estadão

Chacina em bares deixa 6 mortos e 2 feridos em Guarulhos

Principal suspeita da polícia é de que o crime na Grande SP seja ajuste de contas relacionado ao tráfico de drogas

Bibiana Borba e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2017 | 05h54
Atualizado 01 de junho de 2017 | 23h15

GUARULHOS -Com rosto coberto por capuz, criminosos assassinaram seis pessoas a tiros e feriram outras duas em Guarulhos, na Grande São Paulo, na madrugada desta quinta-feira, 1.º As vítimas da chacina, a mais velha uma mulher, tinham entre 24 e 55 anos. A principal suspeita da Polícia Civil é que o ataque tenha sido motivado por ajuste de contas relacionado ao tráfico de drogas. 

No momento do crime, as vítimas estavam bebendo em dois bares, um ao lado do outro, na entrada de uma favela que fica na Estrada Guarulhos-Nazaré. Era 1h40 quando os bandidos entraram com pistolas nas mãos. "Foram muitos tiros, não dava para contar", diz um vizinho, que se preparava para dormir na hora. Segundo ele, viaturas da Polícia Militar chegaram ao local cerca de 20 minutos depois. "A gente só ouvia pessoal daqui chegando no bar e chorando."

"Pelo que a gente soube, eles já chegaram atirando", diz Marcelo Silva, primo do auxiliar de pedreiro Adelson Leite da Silva, de 24 anos, o mais novo entre os mortos. De acordo com ele, a vítima estava bebendo em casa, mas resolveu ir até o bar para buscar mais cerveja. "Ele ainda estava subindo a rua e recebeu um tiro na cabeça", afirma. "Era trabalhador, não tinha briga com ninguém. Fizeram na maldade mesmo, com todos eles."

Um rapaz havia deixado o bar segundos antes do ataque. Na delegacia, ele relatou que estava descendo uma viela quando ouviu vários disparos de arma de fogo e começou a correr. Ao olhar para trás, viu quatro pessoas encapuzadas, usando camisa preta e calça jeans, que atiravam contra as vítimas no bar.

Vítimas. Silva e outros quatro morreram na hora. À tarde, a Secretaria de Saúde de Guarulhos confirmou que a sexta pessoa morreu minutos antes de ser transferida para um hospital estadual. Alvo de quatro disparos na cabeça, tórax e abdome, Raul Gomes de Brito Cavalcante Ramos, de 27 anos, teve morte cerebral constatada por volta das 15 horas.

Única mulher entre os mortos, Maria da Conceição de Jesus Alves, de 55 anos, foi baleada na cabeça enquanto dormia em uma cadeira de plástico do bar. Natural da Bahia, ela vivia com duas filhas e trabalhava recolhendo material reciclável, segundo conta o amigo José da Silva. "Falei com ela à tarde, estava feliz", afirma. "Tinha acabado de ganhar uma máquina de lavar do vizinho e ia vender o material."

O sobrinho dela, Alecsandro de Jesus Alves, de 37, também foi assassinado no ataque. As outras vítimas são John Lennon Pires de Carvalho, de 26 anos, e Vanderlei Cavalcante Ramos Melo, de 35.

"Meu filho tentou correr, foi baleado e caiu do lado de fora. Depois, deram outro tiro nele", diz Joaquim Carvalho, pai de John Lennon. Segundo ele, o filho trabalhava em uma transportadora e frequentava o bar após o expediente. "Ele só tomou um banho e foi para lá. Tinha acabado de chegar", afirma. "Todos que morreram eram lá do bairro."

Um homem de 31 anos foi socorrido com três tiros no abdome e um no braço. Ele passou por cirurgia no hospital e tem o quadro de saúde estável. Ferido por disparos na perna, braço e virilha, outro rapaz de 28 anos foi atendido e recebeu alta. Ele prestou depoimento a investigadores, mas teria dito que não sabia quem poderiam ser os autores do crime.

Histórico. Entre os baleados, três têm passagem por roubo, receptação e desobediência, segundo a Polícia Civil. Também havia usuários de droga. O perfil das vítimas é o principal motivo para que os investigadores suspeitem de um possível acerto de conta ou desavença ligada ao tráfico.

Policiais localizaram no bar máquinas de caça-níquel, que são ilegais. O local também já foi palco de mais crimes. Há cerca de oito meses, outro homem foi morto a tiros na frente dos estabelecimentos. 

Foram recolhidas cápsulas de calibre .45 e 9 milímetros. Por enquanto, a Polícia Civil diz não ver indício de participação de policiais ou grupos de extermínio no crime.

 

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