Chacina deixa cinco mortos em Carapicuíba, na Grande São Paulo

Grupo foi atingido por quatro mascarados que saíram de um Celta, na Vila Santa Terezinha; três pessoas morreram no local e duas no hospital

Felipe Cordeiro e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

14 Julho 2014 | 08h44

Atualizado às 16h20

CARAPICUÍBA - Uma chacina na noite deste domingo, 13, deixou cinco mortos e três feridos em Carapicuíba, na Grande São Paulo. De acordo com policiais da Delegacia Seccional de Carapicuíba, por volta das 20h40, os atiradores chegaram em dois carros: um Celta preto e um Astra prata. Pelo menos quatro homens armados que vestiam toucas ninja desceram do Celta e renderam as vítimas, que foram obrigadas a colocar a mão na cabeça, virar de costas para os mascarados e deixar no chão. Com elas deitadas e com os rostos no chão, os atiradores abriram fogo. 

Segundo policiais da Delegacia Seccional de Carapicuíba, a maioria dos disparos atingiram as cabeças, os pescoços e as costas das vítimas. Os tiros que não acertaram em cheio os jovens, pegaram de raspão. Não está descartada a participação de policiais militares na chacina. O crime ocorreu na altura do número 553 da Rua da Fábrica, no bairro da Vila Santa Terezinha e os jovens estavam sentados em frente a uma lan house.

Thiago Passos Viana, de 17 anos, Guilherme Costa Conceição, de 20, e Breno Santos Margaroto, de 18, morreram no local e outras quatro vítimas foram encaminhadas ao Hospital Geral de Carapicuíba, onde uma delas morreu. De acordo com o hospital, Carlos Augusto da Silva, de 34 anos, foi baleado no rosto e morreu às 23h05. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, Welington da Silva Soares, de 26 anos, foi atingido na cabeça e morreu no início da tarde desta segunda-feira, 14.

De acordo com o Hospital Geral de Carapicuíba, uma vítima foi baleada no tórax, passou por cirurgia de laparostomia exploradora e está internada na unidade de terapia intensiva (UTI Adulto).

A quarta vítima encaminhada ao Hospital Geral de Carapicuíba foi atingida na perna, atendida e já foi liberada. O caso foi registrado no 1º Distrito Policial de Carapicuíba e será investigado pelo Setor de Homicídios da seccional da região.

A diarista Rosemeire Costa Conceição, mãe do ajudante de pedreiro Guilherme Costa Conceição, disse que o filho não tinha nenhum envolvimento com o crime e que não tinha inimigos. "Meu filho fumava, sim, mas não era o 'noia' que o povo fala, que era de ficar louco e bater na mãe."

Segundo Rosemeire, o filho poderia estar vivo caso tivesse obedecido a uma ordem dela. "Meu filho por um minuto que não me obedeceu morreu daquele jeito", afirmou. Ela explicou que tinha ido à igreja e pediu para o ajudante de pedreiro ficar em casa cuidando do filho dele.

Um parente de outra vítima que não quis se identificar disse que quem matou o jovem sabia atirar. "Teve um monte de tiro que acertou a cabeça. Eles miraram do peito para cima", declarou.

Fogos de artifício. Vizinhos afirmaram que confundiram os disparos com fogos de artifício. "Tinha acabado de terminar a final da Copa do Mundo. Pensei que fosse torcedor revoltado soltando os rojões que ficaram guardados para o Brasil", disse uma dona de casa de 56 anos. No início da tarde desta segunda-feira, o clima na Rua da Fábrica era de indignação e medo. "Estão dizendo que eles morreram porque estavam na 'biqueira' (ponto de venda de droga) fumando maconha. 

Mesmo se estivessem, não estavam fazendo mal para ninguém", afirmou um comerciante de 43 anos. A cerca de 200 metros do 1º DP de Carapicuíba, os corpos de Margaroto e Viana dividiam o mesmo velório. Os amigos ainda aguardavam a chegada do corpo de Conceição.

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