Fernando Neves/Brazil Photo Press/Estadão
Fernando Neves/Brazil Photo Press/Estadão

Chacina deixa 8 mortos em sede de organizada do Corinthians

Torcedor que havia sido preso em Oruro, em 2013, está entre os assassinados; polícia suspeita de relação com tráfico de drogas

Felipe Resk e Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

19 Abril 2015 | 09h50

Atualizada às 13h28

Oito integrantes da Pavilhão 9, torcida organizada do Corinthians, foram mortos a tiros na noite de quinta-feira, 19, à noite na sede da agremiação, na zona oeste de São Paulo. A chacina aconteceu na véspera do clássico contra o Palmeiras, mas, por enquanto, os policiais descartam a hipótese de rixa entre torcidas. Uma das principais linhas de investigação é de que o crime estaria ligado ao tráfico de drogas.
As vítimas eram homens entre 19 e 38 anos - cinco deles já haviam sido presos pela polícia. Entre os mortos está Fábio Neves Domingos, de 34 anos, ex-presidente da Pavilhão 9 e um dos corintianos presos em Oruro, na Bolívia, em 2013. 
Três criminosos armados e com capuz invadiram a sede da torcida organizada por volta das 22h15, segundo testemunhas. O espaço fica sob a Ponte dos Remédios, próximo à Marginal do Tietê. Os torcedores realizaram um festa com futebol de salão e churrasco ao longo do dia, mas apenas 12 pessoas continuavam na agremiação. Quatro conseguiram fugir.

“Eles entraram pela porta da frente segurando as armas. Depois, mandaram todo mundo ficar de joelhos e atiraram. Foi covardia”, conta um dos sobreviventes, que conversou com o Estado na tarde deste domingo.
Segundo integrantes da Pavilhão 9, o grupo pintava bandeiras e faixas para o jogo da semifinal do Campeonato Paulista. “Quando vi a agitação, um amigo me puxou pelo braço e gritou: ‘É assalto! É assalto!’. Nós conseguimos sair correndo, mas o restante do pessoal não.”
Por volta das 23 horas, a Polícia Militar chegou à sede da organizada e encontrou sete pessoas baleadas. As vítimas estavam de bruços e apresentavam marcas de tiro na cabeça e algumas delas, no corpo. Todas já estavam mortas. A perícia recolheu cápsulas de calibre 9 milímetros no local.
O compositor de sambas-enredo Mydras Schmidt Rizzo, de 38 anos, foi o oitavo alvejado. Ele ainda conseguiu correr para um posto de gasolina, a poucos metros da sede, onde caiu. Rizzo chegou a ser socorrido para o Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois.
As outras vítimas foram: Marco Antônio Corassa Júnior, de 19 anos; Jonathan Rodrigues Nascimento, de 21; Jonathan Garzillo Massa, de 21; André Luiz Oliveira, de 29; Matheus Oliveira, de 29, e Ricardo Prado, de 34, Dos mortos, ao menos dois já haviam sido acusados de tráfico de drogas e um terceiro por roubo. Outras duas chegaram a ser detidas por envolvimento em briga entre torcidas organizadas.
Investigações. De acordo com o delegado Arlindo José Negrão Vaz, titular da Divisão de Homicídios do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a chacina não tem relação com brigas entre torcidas organizadas. “Por enquanto, a hipótese está descartada”, afirmou o delegado.
Para ele, as características do crime indicam que houve uma execução. De acordo com ele, a chacina pode ter sido motivada por tráfico de drogas. “É uma das linhas de investigação”, disse o policial ao ser questionado se essa era a principal suspeita da Polícia Civil.
Apesar de usarem capuz, os atiradores estavam com os rostos descobertos - o que pode facilitar uma possível identificação dos autores. Segundo o delegado, dois dos três bandidos são loiros e tem estatura “de mediana a alta”. Até o momento, os policiais não sabem informar se algum veículo foi usado pelos criminosos na fuga. Imagens de câmeras de segurança do posto de combustível estão sendo analisadas, mas as pistas ainda não são conclusivas.

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