JB Neto/AE
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Chácara Klabin ganha base ''Big Brother'' da PM

Bairro da zona sul quer ser o primeiro 100% coberto por câmeras de SP; polícia apoia iniciativa

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

02 Março 2011 | 00h00

A Chácara Klabin, na zona sul de São Paulo, deve se tornar o primeiro bairro videomonitorado da capital. A Polícia Militar inaugurou ontem ali a primeira base comunitária de policiamento com central de vigilância eletrônica da cidade - por enquanto, a base conta com sete câmeras que vigiam a estrutura e as principais vias locais. No segundo semestre, o plano é expandir a rede para 20 câmeras espalhadas em ruas do bairro e ligar a central às imagens internas de condomínios da região.

O monitoramento das ruas a partir da nova base - localizada na Praça Manuel Pedro Pimentel, esquina com a Rua Vergueiro - ficará a cargo da PM. Já o monitoramento dos condomínios deve ser realizado por funcionários de uma empresa privada, que atuariam também dentro da base comunitária, em uma iniciativa inédita na capital. A previsão é que o sistema comece a funcionar até o fim do ano.

O plano tem o apoio do Comando de Policiamento da Capital, que agora estuda como viabilizar legalmente o trabalho conjunto entre civis e militares.

"A ideia é expandir o modelo de centrais de monitoramento regionalizadas para outros bairros da capital. A base inaugurada hoje (ontem) servirá de modelo para estudar essa expansão", disse o comandante do policiamento da PM na capital, coronel Marcos Roberto Chaves da Silva. "Agora, temos de definir como evitar barreiras legais ao trabalho conjunto entre a Polícia Militar e funcionários da iniciativa privada."

Mobilização. A base foi construída com recursos arrecadados pela Associação de Moradores da Chácara Klabin, preocupada com o aumento da criminalidade na área - foram três arrastões no ano passado, além de pelo menos oito assaltos a apartamentos na região apenas no ano passado.

A estrutura custou R$ 320 mil, bancados por sete empresas, a maioria com sede no bairro. "A ideia é que as imagens dos condomínios possam chegar diretamente até a central. Assim, a PM saberá o que está acontecendo sem intermediários e poderá atuar com mais rapidez", explicou o presidente da associação de moradores local, Camilo Cristófaro.

Algumas das vias que devem receber monitoramento até o fim do ano são as Ruas Vergueiro e Rodrigo Vieira e a Avenida Prefeito Fabio Prado - está prevista a instalação de cerca de cinco câmeras em cada uma das vias, equipadas com pequenas centrais de rádio, que transmitirão as imagens à base comunitária.

Desafio. Até agora, 48 condomínios da Chácara Klabin demonstraram interesse em participar da rede de monitoramento. "Mas, em uma reunião no ano passado em que compareceram vários síndicos do bairro, ninguém se opôs. Acredito que não haverá dificuldades em conseguir mais condomínios interessados em compor a rede," disse Cristófaro. "No início da década de 1990, havia no bairro apenas 18 prédios. Hoje há 118. Com o aumento no número de edifícios, aumenta o desafio na segurança. Precisamos acompanhar com tecnologia."

O NOME DO BAIRRO

CHÁCARA KLABIN

ZONA SUL DE SP

Caminho para o Ipiranga, a região recebeu, em 1878, uma colônia de imigrantes italianos. Em 1887, o lituano Maurício Freeman Klabin chegou à cidade e, seis anos depois, comprou as lotes na região. Mais tarde, tornou-se um dos pioneiros da indústria do papel no País.

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