CFM diz que modificações foram 'traição'

O presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto D'Ávila, classificou como traição os vetos à lei do ato médico. Ele afirmou que o texto, depois dos cortes, ficou desfigurado, jogando por terra quase 12 anos de discussão no Congresso. "Sabemos que a presidente foi muito mal assessorada, revelando incompetência de seu assessor para a área de saúde." Questionado sobre a quem se referia, ele apenas afirmou: "Só há um - e ele é médico", numa clara menção ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2013 | 02h03

O ministro rebateu as críticas ontem à noite. "Eu, como ministro, tenho de agir pensando na saúde do brasileiro, antes de qualquer coisa." Padilha argumentou que os trechos da lei vetados proibiam, por exemplo, que nutricionista ou psicólogo prescrevesse uma terapia, algo que poderia trazer sérios prejuízos para população e que certamente provocaria uma corrida de ações na Justiça.

O ministro disse ainda que as limitações prejudicariam a atuação de outras categorias profissionais da área de saúde em programas do governo, como o de combate à malária. "Além disso, nós, médicos, temos de ter a humildade de reconhecer que a acupuntura foi criada antes da Medicina. E que muitas categorias profissionais já executavam essa terapia antes de ela ser reconhecida como uma especialidade médica."

Para D'Ávila, há uma crise com o Ministério da Saúde. "Houve quebra de confiança." Ele descartou a possibilidade de greve, mas afirmou que na próxima semana uma reunião será realizada para definir a saída das representações médicas das comissões e grupos de trabalho que atuam no ministério.

"Esta é a segunda agressão que sofremos nesta semana", disse, citando a aprovação do programa Mais Médicos. "É um desrespeito à população."

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