Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Cetesb terá de avaliar areia das praias de SP

Lei determina que órgão faça análises anuais; rios e represas também serão alvo

Paulo Saldaña e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

17 Março 2011 | 00h00

As areias das praias paulistas deverão ter a qualidade monitorada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). A exigência virou lei estadual, publicada ontem no Diário Oficial.

Ainda não há um número definido de praias a serem analisadas, mas, segundo a companhia, a própria estrutura do Programa de Balneabilidade pode ser usada. Atualmente a Cetesb monitora 136 praias todas as semanas, para verificar condições e qualidade da água. No caso de rios e reservatórios, são 30 pontos de amostragem.

A companhia ainda não tem previsão de quando o monitoramento vai começar. "É necessário criar um grupo de trabalho, para que sejam discutidos com representantes da Secretaria de Saúde e outros técnicos os critérios para monitoramento sistemático", disse José Eduardo Bevilacqua, da Diretoria de Tecnologia de Qualidade e Avaliação Ambiental da Cetesb. Segundo ele, a areia tem uma complexidade peculiar de análise. "Nem na Europa ainda há padrão estabelecido de qualidade."

A recomendação para que os órgãos ambientais de cada Estado avaliassem "as condições parasitológicas e microbiológicas da areia" foi feita há 11 anos, pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Em 2009, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou projeto que determinava a análise nas praias paulistas. Mas o texto do então deputado estadual Carlinhos Almeida (PT) - hoje federal - foi vetado pelo governador José Serra (PSDB). No começo do mês, os deputados estaduais derrubaram o veto e o documento foi sancionado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Pontual. Segundo Bevilacqua, a Cetesb já analisa areias, mas de modo isolado. No ano passado, a companhia chegou a escolher 24 pontos - 14 fixos e 10 trocados periodicamente. Os resultados ainda não estão disponíveis, mas, segundo ele, "ficou bastante evidente que de fato existe contaminação".

A qualidade da areia depende de três tipos de situação: presença de animais (em especial cachorros), restos de alimentos e cursos d"água, como canais de esgoto. Em estudos realizados em 2009 em oito praias, níveis de coliformes fecais foram sempre maiores na areia seca que em amostras de areia molhada. Indicadores também foram sempre maiores no verão, quando chuvas colaboram para carregar poluentes e praias estão mais cheias.

Nenhuma cidade paulista monitora areia. No Brasil, a única que tem programa é o Rio. Lá, desde 2006, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente monitora semanalmente 36 praias.

DUAS PERGUNTAS PARA...

Stefan Cunha Ujvari, INFECTOLOGISTA, AUTOR DO LIVRO PERIGOS OCULTOS

1. A quais doenças as pessoas estão sujeitas nas areais de praias?

O risco principal vem das fezes de animais. As de gato podem conter o parasita da toxoplasmose. As de cães, o toxocaríase, que provoca febre. Ainda há risco de infecção pela larva do bicho geográfico.

2. Como identificar riscos e se prevenir?

A única maneira é ficar atento se tem animais e fezes de gatos e cachorros na areia. E a recomendação é evitar andar descalço na areia fofa, perto da orla. Opte pelo chinelo. Ao deitar ou sentar, o ideal é usar uma toalha.

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