Cetesb quer que Yara Baumgart explique declarações ao 'Estado'

Empresária afirmou, anteontem, que shopping não quis trabalhar com empresa indicada pela companhia estatal

PAULO SAMPAIO, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2011 | 03h01

A Cetesb interpelou judicialmente ontem a empresária Yara Baumgart, mulher de um dos principais acionistas do Center Norte, para que, em 48 horas, dê explicações sobre as declarações feitas anteontem ao Estado. Na entrevista, a empresária afirmou que a notícia do perigo de explosão do shopping surgiu porque a família rompeu contrato com a Tecnohidro - empresa segundo ela indicada pela Cetesb para resolver o problema de gases no local - e chamou outra, a multinacional Environ. "Eles se sentiram preteridos e fizeram crescer a história da explosão", afirmou.

Ao justificar a interpelação judicial, a direção da Cetesb disse que considerou as afirmações "caluniosas, difamatórias e injuriosas". Já o secretário estadual de Meio Ambiente, Bruno Covas, informou que a interpelação judicial servirá para saber qual funcionário teria indicado a empresa. "Não pode. Isso é proibido. Se houve indicação, vamos investigar o funcionário", disse. "Não posso investigar 2 mil funcionários. Precisamos saber quem é para puni-lo administrativamente. Vamos aguardar a interpelação para verificar que medida tomar dentro da empresa."

Em nota, o superintendente do Grupo Center Norte, Ricardo Afonso, disse que Yara "não é porta-voz do grupo e não ocupa nenhum cargo executivo na empresa". Diz ainda que ela "não acompanha os trabalhos do Comitê de Meio Ambiente, que coordena a questão do passivo representado pelos resíduos existentes no subsolo da área ocupada pelo shopping".

Afonso diz lamentar o ocorrido e espera contar com a compreensão da Cetesb para continuar a buscar soluções técnicas para a questão. O Estado procurou Yara ontem por telefone, mas não conseguiu contato. A empresária está em Paris.

A Tecnohidro também divulgou comunicado repudiando "a tentativa da senhora Yara Baumgart de transferir a terceiros a responsabilidade dos administradores e responsáveis legais do shopping Center Norte".

A empresa afirma que o primeiro contrato com o Center Norte para o desenvolvimento do gerenciamento ambiental da área do shopping, relativo às exigências do parecer da Cetesb, é de agosto de 2004.

Segundo eles, "o contrato foi iniciado pela etapa de avaliação preliminar, seguido de investigação confirmatória, detalhada avaliação de risco e plano de intervenção". "Os relatórios foram entregues nos prazos acordados com a equipe de engenharia do shopping."

Ao Estado, o diretor da Tecnohidro, Alexandre Maximiano, diz que não tem "qualquer relação com a Cetesb". Mas confirma que elaborou a planilha de cálculo usada pela companhia para quantificar o risco à saúde humana e gerenciar áreas contaminadas. Ele também dá palestras e cursos, como consultor, a funcionários da Cetesb. "Mas não só eu. Há vários outros, inclusive de fora do Brasil."

A assessoria da Cetesb diz que a companhia não pode indicar ninguém para prestar consultoria, já que o procedimento seria caracterizado como improbidade administrativa. Mas, questionada sobre se Maximiniano dá cursos a funcionários, afirmou que "provavelmente sim". "Um consultor da câmara ambiental, ou qualquer outro de fora, pode dar cursos na Cetesb."

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