Cetesb encontrou gás metano até no subsolo de creche

Companhia também descobriu ligações elétricas irregulares, que aumentam o risco de explosão no local

O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2011 | 03h03

Técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) que vistoriaram o conjunto habitacional Cingapura atestaram que todo o terreno tem ocorrência de metano no subsolo, até mesmo a área do Centro Educacional Infantil Nair Salgado, uma creche que atende 155 crianças. A Cetesb ainda descobriu conexões elétricas em curto-circuito e ligações irregulares saindo dos apartamentos. Também foram encontrados resquícios de uma fogueira bem em cima de um poço de monitoramento de metano - o que, segundo a promotora do Meio Ambiente Cláudia Fedeli, responsável pelo pedido de interdição do Cingapura, poderia ter causado uma explosão.

Todas as informações constam do Parecer 062/CAAA/11 da Cetesb, que serviu de base para o pedido de fechamento do Cingapura. Técnicos da agência ambiental também receberam denúncia dos moradores de que o piso do bloco 11 do conjunto "está esquentando, ocorrendo choques quando chove no local". Para a promotora, isso é um sinal de problemas estruturais no Cingapura, o que causa faíscas que aumentam ainda mais a possibilidade de explosões nos blocos residenciais. "Apesar do risco potencial conhecido, não havia sido elaborado pela Prefeitura sequer um plano de comunicação aos moradores ou um plano de contingência", escreveu Cláudia Fedeli no pedido de lacração.

Ontem, a Cetesb fez novas medições no terreno. "De acordo com o monitoramento feito em salas, instalações hidráulicas, bueiros e ralos, área de estoque, cozinha e almoxarifado, não foi detectado índice de inflamabilidade em nenhum desses locais", afirmou a agência, por meio de nota. "Apenas em um poço de monitoramento na área externa da creche foi registrado 100% do limite de explosividade."

Nova investigação. Pressionada pelo Ministério Público Estadual (MPE), a Prefeitura também vai investigar se existe contaminação no subsolo do Instituto de Previdência Municipal (Iprem), localizado no número 531 da Avenida Zaki Narchi, entre o Cingapura e o shopping Center Norte. Por R$ 69,3 mil, o Instituto Montenegro de Tecnologia e Ensino em Gerenciamento de Áreas Contaminadas foi contratado em caráter emergencial (sem concorrência).

Quem pediu que a Secretaria Municipal de Habitação fizesse o levantamento de passivo na área do Iprem foi a mesma promotora que pediu a interdição do Cingapura.

Por enquanto, Cetesb, Prefeitura e MPE não sabem qual era a extensão do Aterro Carandiru, o lixão desativado na região em 1975 e o que exatamente foi construído sobre ele.

Sem alerta. Quando o então prefeito Reynaldo de Barros (1931-2011) concedeu em 1982 a licença de obras ao Center Norte, não havia nenhuma citação do governo sobre o lixo enterrado na área Em 1994, quando Paulo Maluf construiu o Cingapura, autoridades do Estado e do MPE não alertaram para o passivo ambiental da área. / DIEGO ZANCHETTA e RODRIGO BRANCATELLI

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