Cetesb apura extensão da contaminação

Além de monitorar área de antiga pedreira, órgão estadual investiga outros focos de deposição de resíduos em Pirituba; laudo técnico não foi divulgado

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2010 | 00h00

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) confirmou ontem que o terreno em Pirituba onde se cogita construir o estádio de abertura da Copa 2014, na zona norte de São Paulo, tem 1.200 metros quadrados contaminados, além de outros focos que "serão objeto de investigação para serem definidas medidas de intervenção". O caso foi divulgado ontem com exclusividade pelo "Estado".

 

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Sem divulgar o laudo técnico e os relatórios produzidos sobre a área desde 2003, o órgão estadual informou, em nota oficial, ter detectado uma mancha de poluição hoje restrita a uma das glebas do terreno. Até 1966, o local era uma vala usada pela Pedreira Universo para depósito de resíduos industriais de areia de fundição - material que contém metais pesados, incluindo ferro.

Nessa parte do terreno nenhum empreendimento pode ser erguido, segundo a Cetesb. Para outras partes do lote, qualquer projeto terá de ser aprovado antes pelos técnicos da Companhia. Além do estádio da Copa, até 2020 o governo municipal pretende construir no terreno contaminado e em outros dois lotes vizinhos, que pertencem à Policia Militar e ao Clube do Jaraguá, um centro de convenções e uma arena para shows.

"Qualquer uso futuro da área depende de avaliação técnica, para dizer se é possível erguer algo em local com histórico de passivo ambiental. Para nós, nunca chegou nenhum projeto de estádio ou da Prefeitura", afirma Celso Machado, gerente da agência da Cetesb em Santana. Machado ressaltou que o órgão faz monitoramento contínuo da área onde está a vala contaminada. "Existe um lençol freático no terreno e temos de ter o controle para saber se essa mancha não anda para outros pontos. Todo o trabalho feito até agora conseguiu concentrar a poluição no espaço da antiga cava da pedreira."

Condomínio. O único projeto apresentado na Cetesb até agora para o terreno com passivo ambiental prevê a construção de um condomínio com 2 mil casas, proposto pela Companhia City - a empresa garante que os imóveis serão erguidos fora do perímetro contaminado. O órgão estadual afirma não ter restrição ao uso proposto pela empresa fora da área onde funcionava a antiga pedreira.

 

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