TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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CET vai escoltar ambulância até hospitais durante megablocos na 23 de Maio

Dificuldade de acesso e barulho foram as principais críticas feitas por parentes de pacientes e funcionários de hospitais na região do Paraíso durante o carnaval de rua paulistano

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

16 Fevereiro 2018 | 19h53

SÃO PAULO - Após sofrer críticas por causa do tumulto provocado na porta de hospitais com a passagem dos megablocos na Avenida 23 de Maio durante o carnaval, a gestão do prefeito João Doria (PSDB) decidiu colocar motos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para escoltar ambulâncias até a entrada dos centros de saúde neste sábado, 17, quando três blocos desfilam na via, entre eles o Lagardinho, comandado pela cantora Claudia Leitte. 

Além disso, a Prefeitura afirmou ter criado rotas alternativas para veículos de resgate e negociado com os blocos para diminuírem o som ou não pararem o caminhão quando estiverem na frente dos hospitais. O barulho provocado pelos trios elétricos e o bloqueio feito por foliões na Rua Maestro Cardim, endereço de três hospitais no bairro do Paraíso, foram as principais queixas de pacientes e funcionários das unidades de saúde, como o Hospital Beneficência Portuguesa e o Sancta Maggiore.

"A 23 de Maio fica nos fundos do quarto onde minha avó está internada. Ela não consegue descandar à tarde de tão alto que é o barulho. E o trânsito aqui fica caótico por causa da multidão. Muita gente bêbada no meio da rua e as ambulâncias não conseguem passar", contou ao Estado na última terça-feira, 13, a bancária Michele de Freitas, de 32 anos, cuja avó, de 79 anos, foi internada no Hospital Sancta Maggiore após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). 

A respeito da interdição da Avenida Vinte e Três de Maio para a apresentação dos blocos de Carnaval e São Paulo, o Hospital BP, unidade hospitalar da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, informa que foram registradas manifestações de clientes a respeito do barulho e da dificuldade de acesso às nossas portarias localizadas na rua Maestro Cardim. Tais manifestações, embora direcionadas à municipalidade, foram registradas por meio dos nossos canais de atendimento ao cliente, redes sociais e também pelo monitoramento dos veículos de imprensa.

Em nota, o superintendente-executivo do Beneficência Portuguesa, Luiz Eduardo Loureiro Bettarello, afirmou que "foram registradas manifestações de clientes a respeito do barulho e da dificuldade de acesso às portarias localizadas na rua Maestro Cardim" e que o hospital "tentou minimizar o desconforto" causado aos pacientes fazendo transferência de leitos.  

Segundo a Prefeitura, a CET também será acionada para ajudar a abrir caminho para as ambulâncias entre os foliões que devem acompanhar os shows neste sábado. A área terá dois postos médicos e 18 ambulâncias, que ficarão em locais estratégicos, além de uma carreta de saúde. Segundo a gestão Doria, cerca de 2,6 milhões de pessoas acompanharam, entre domingo e terça-feira,  de carnaval, os blocos na 23 de Maio que estreou neste ano como endereço do carnaval paulistano, concentrando os megablocos.

Já os foliões reclamaram de problemas na estrutura montada para os blocos, como dificuldade de acesso à avenida e a falta ou concentração dos banheiros químicos em um determinado ponto da via. Muitos homens fizeram do paredão lateral do Centro Cultural São Paulo um banheiro público, igorando a presença da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a multa de R$ 500 para quem fizer xixi na rua.

Segundo a Prefeitura, para este sábado, 17, haverá melhora na sinalização do local e aumento do número de banheiros químicos, de 580 para 650 cabines espalhadas pela 23 de Maio. Ainda segundo a gestão Doria, a Polícia Militar reforçará o efetivo na região e a empresa contratada para organizar o carnaval de rua vai intensificar a fiscalização para impedir a entrada de objetos cortantes na avenida.

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