CET restringe vagas nas ruas de Moema e instala Zona Azul

Região perde 3.850 vagas comuns a partir de hoje e ganha outras 1.072 em estacionamento rotativo. Comércio reclama

Maiara Camargo, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2010 | 00h00

Começam a valer hoje, em Moema, na zona sul de São Paulo, as mudanças nas regras para estacionamento nas ruas do bairro. Foram extintas 3.850 vagas comuns. No lugar, a Prefeitura criou 45 novos trechos de Zona Azul, ou seja, 1.072 vagas pagas para estacionamento rotativo.

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, o objetivo é melhorar o trânsito da região e ampliar a oferta de locais para estacionar. Moradores e comerciantes reclamam das medidas e desconfiam das promessas de melhorias.

O advogado Valdir Sayeg, de 55 anos, mora há 26 anos na região. Para ele, não será eliminando vagas que o trânsito ficará mais tranquilo. "A implantação de Zona Azul só vai deixar o povo mais pobre. Quem lucra com isso é o Kassab e a Prefeitura", diz.

A aposentada Alice Tanaka, de 65 anos, acredita que a alteração vai prejudicar quem visita o bairro. "As pessoas vão acabar deixando de passear por aqui."

Para o empresário Ivan Nogueira, de 45 anos, quem trabalha na região e está acostumado a deixar o carro na rua será obrigado a mudar a rotina. "Eles terão de utilizar o transporte público, que, infelizmente, é de péssima qualidade", disse.

Prejuízo no comércio. Os comerciantes também vêm problemas na extinção das vagas comuns. Atendente de uma doceria na Rua Gaivota, Roseane Gaião, de 30 anos, disse que as medidas podem diminuir o movimento na loja. "Já tem gente que tenta parar e não consegue", diz. Rafael Rodrigues, gerente de uma padaria na Avenida Sabiá, afirma que por lá as vagas estão sempre ocupadas. "Vai atrapalhar, mas teremos que obedecer", conclui.

A Secretaria de Transportes, que já promoveu projetos similares nos Jardins, Itaim-Bibi, Rua 25 de Março, Vila Olímpia e ao longo das Avenidas Faria Lima e Hélio Pellegrino, garante que nessas regiões as mudanças proporcionaram ganhos em termos de fluidez do trânsito.

Em Moema, o objetivo é desafogar o tráfego nos corredores das Avenidas Ibirapuera, República do Líbano, Indianópolis e Bandeirantes, com o aumento de capacidade das Alamedas dos Maracatins, Nhambiquaras e Arapanés e nas Avenidas dos Eucaliptos/Imarés e Moema/Juriti.

Novas vagas. Além das 1.072 vagas regulares para veículos comuns, foram contemplados os deficientes (32 vagas), idosos (67) e caminhoneiros (9). Haverá bolsões para abrigar 498 motocicletas. Atualmente, o cartão de Zona Azul custa R$ 3. Cada veículo pode permanecer parado por duas horas. Para alertar os motoristas, foram instaladas 1.353 placas e a CET aumentará o número de agentes na região.

Lotação. Com poucas vagas disponíveis, os estacionamentos do bairro se preparam para operar com lotação máxima. Atendente de um deles, na Alameda dos Arapanés, Paulo Rogério, de 31 anos, espera que as 15 novas vagas para mensalistas sejam preenchidas logo. "Tem muita gente procurando." Em média, a primeira hora nesses estabelecimentos custa de R$ 6 a R$ 8. A diária varia entre R$ 15 e R$ 18.

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