Paulo Liebert/AE
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CET quer educar pedestres na 2ª fase de programa contra atropelamentos

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) já prepara a segunda fase do Programa Travessia Segura, cinco meses após a campanha que orienta os motoristas sobre a preferência de travessia de quem está a pé: dessa vez, voltada para os próprios pedestres, com faixas de alerta nas ruas, cartilhas com orientações de regras de trânsito e uma campanha publicitária, ainda sem prazo para ir ao ar.

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2011 | 03h03

A preocupação é com pedestres que se colocam em risco ao não respeitar as regras de trânsito, atravessam fora da faixa ou mesmo quando o semáforo está vermelho para eles.

Já estão sendo instalados banners e faixas em cruzamentos da cidade chamando a atenção para que a travessia seja feita apenas quando o semáforo indicar o verde para quem está a pé. O alerta já pode ser visto na Rua Augusta, nos Jardins, zona sul, e Rua Cônego Eugênio Leite, em Pinheiros, zona oeste.

"O pedestre saiu do 8 para o 80 e acabou adotando uma postura de 'essa rua é minha'. Estamos percebendo isso pela nossas observações e pesquisas", afirma o diretor de Planejamento e Educação de Trânsito da CET, Irineu Gnecco Filho. Para ele, é preciso agora desenvolver ações para que se chegue a um "meio-termo".

A campanha foi inicialmente voltada para as irregularidades praticadas pelo motoristas porque são o "lado forte" da relação, segundo a CET, o que tornava a ação mais urgente para minimizar o risco de acidentes.

Irregulares. O desrespeito do pedestre às regras de trânsito foi constatado pelo Estado em oito de dez cruzamentos escolhidos aleatoriamente na cidade.

Em uma travessa da Avenida Paulista, pedestres praticamente ignoram o semáforo da Rua Ministro Rocha Azevedo. A reportagem contou 200 pedestres em situação irregular em 10 minutos. Pelo menos cinco acenaram com a mão para que os motoristas esperassem.

O tempo de sinal verde para os pedestres também é um problema. O semáforo fica apenas 9 segundos no verde, e depois 2 minutos e 26 segundos entre vermelho e vermelho piscante (transição antes do vermelho).

A aposentada Lindalva Paula Costa, de 88 anos, levou pelo menos 20 segundos para atravessar a via e teve de pedir para os carros pararem. "Dá medo atravessar aqui perto da Paulista. Não posso correr", afirma. O problema é pior para idosos, cadeirantes e pessoas com carrinhos de bebê. Para atravessar a Paulista na altura da Augusta, a aposentada Aracy Mauro, de 77 anos, tinha de se apressar. "Já caí atravessando no Jardins. Tem muito idoso por aqui. O pedestre precisa de mais tempo", diz. A CET afirmou que revisou os ciclos semafóricos da cidade para dar mais tempo ao pedestre.

Ali perto, na frente do Hospital Nove de Julho, na Rua Peixoto Gomide, uma placa colocada pela Prefeitura informando "só atravesse no verde" é ignorada por quem está a pé. Cinco passaram no vermelho em dez minutos. "As pessoas pisam na rua primeiro e depois olham para ver se vem carro. Olhar para o semáforo de pedestre, só alguns mesmo", opinou o taxista Valdir Dias, que trabalha na frente da travessia. "Acho que quando o trânsito não está tão intenso não é necessário esperar o verde", disse um pedestre, que não quis se identificar.

Canteiro. Nas Avenidas São João, no centro, e Brigadeiro Faria Lima, zona sul, a reportagem constatou outra irregularidade comum. Os pedestres têm sinal verde para atravessar uma das pistas mas, quando chegam ao canteiro central, o semáforo fecha. Solução: em vez de esperar, muitos correm para cruzar a outra pista. É cena comum na frente do Shopping Iguatemi.

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