CET faz teste de multa por velocidade média e flagra 7 vezes mais infratores

Medição, na 23 de Maio, usou radares de rodízio; parte dos veículos não entrou na contagem, pois não percorreu os 2 pontos de análise

BRUNO RIBEIRO, NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2012 | 03h03

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estuda uma nova forma de multar os motoristas na capital paulista. Em vez de só flagrar quem passou acima do limite em um lugar específico, a ideia é fazer a fiscalização em mais de um ponto, calculando a velocidade média desenvolvida pelo carro ao longo da via. Na prática, o estudo preliminar mostrou que para cada motorista flagrado pelo radar hoje outros sete poderiam ser autuados.

Para entender: se a velocidade permitida é de 60 km/h, os radares multariam não só quem ultrapassou o limite na frente do radar, mas também quem desenvolveu velocidade superior ao fim do trajeto na via. O estudo prático foi feito em junho, com 495 mil veículos, nas Avenidas Washington Luís, Moreira Guimarães, Rubem Berta e 23 de Maio. Pela forma atual, 337 motoristas foram flagrados pelos radares durante aquele mês. Pela medida em estudo, foram pegos 2.753 carros excedendo o limite de velocidade.

Os testes foram feitos com radares já existentes - os Leitores Automáticos de Placas (LAP), usados para flagrar quem fura o rodízio. Durante os testes, os LAPs foram adaptados para anotar todas as placas de veículos que passaram por pontos de entrada e saída do corredor e, assim, calcular as velocidades médias.

Duas rotas foram estudadas: no sentido bairro, um trecho de 4 km da 23 de Maio na altura do Viaduto Tutoia até a Moreira Guimarães com a Avenida Aratãs. No sentido centro, do cruzamento da Avenida Moreira Guimarães com a Avenida Iraí até o Viaduto Pedroso de Morais (6,5 km).

O estudo mostrou que os carros, em geral, percorrem essas duas rotas com velocidade média perto dos 50 km/h. Mas os infratores chegaram a quase 90 km/h. Grande parte dos veículos, porém, não pôde ser incluída na análise porque buscou outras rotas e não passou nos dois pontos de medição - o ponto negativo do sistema. "Não adianta colocar um no começo da Radial e outro em Itaquera. Tem de ser um em cada quadra", diz o consultor em engenharia de transportes Horácio Figueira. "Esse tipo de fiscalização não substitui a atual, é um complemento."

Outro problema envolve as motos. "Os LAPs pegam o alfabeto e os números da placa e transformam em um arquivo de texto. Essas informações nos carros estão na mesma linha. Mas, na placa da moto, estão em duas linhas. Por isso defendo que a diagramação das placas de moto mude", diz o consultor de tráfego Flamínio Fichmann.

Discussão. A CET diz que o estudo foi feito para "abrir a discussão" entre técnicos especializados em trânsito e as medidas ainda precisariam passar por discussões jurídicas. "Multa tem de ser vista como o último recurso. Então esse novo sistema deve ser precedido por uma campanha de ampla informação, porque a ideia é salvar vidas e minimizar a perda de capital humano", observa o professor da FEI Creso de Franco Peixoto.

Para o engenheiro e consultor Sérgio Ejzenberg, a fiscalização atual é falha. "Você vê à noite. As luzes dos freios acesas perto dos radares mostram que as pessoas correm pela via e freiam onde o radar está", diz. "Pela velocidade média, só sentiria a mudança quem corre."

Motoristas ouvidos ontem pela reportagem, porém, mostraram-se contra a fiscalização por velocidade média, que consideram abusiva. "A gente vive na correria, parado no trânsito, e quando consegue dar uma esticada não pode andar? É um absurdo", disse o taxista Valtair Semeão da Silva, de 48 anos. Já o motoboy Ernesto Fernandes Freitas, de 30, considerou a medida rigorosa demais. "Não pode cometer um erro que dão multa."

O engenheiro Marco Volpe, de 44, classificou a autuação como "palhaçada". "Já não dá para andar por causa do trânsito", reclamou ele, que até admite desacelerar onde tem radar. "Já sei onde eles estão", contou. / COLABORARAM CAIO DO VALLE e FELIPE TAU

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