Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

CET cria ''puxadinhos'' azuis para calçadas

Objetivo é aumentar a área para pedestres em cruzamentos com grande movimento; inspirado em Nova York, projeto-piloto começou pelo centro

Caio do Valle / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2011 | 00h00

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) começou a testar uma solução barata e rápida para estender a área das calçadas: pintar o asfalto com tinta azul. O objetivo é diminuir a distância da travessia dos pedestres em curvas e cruzamentos movimentados de São Paulo. Um projeto-piloto foi feito nesta semana na esquina da Rua Capitão Salomão, na frente do Largo do Paiçandu, no centro.

Segundo a CET, os motoristas que desrespeitarem a nova área serão multados. A infração é considerada gravíssima, rende R$ 574,61 de multa e sete pontos na carteira de habilitação.

Delimitada por uma faixa branca e 17 balizadores cilíndricos de plástico, a área azul começa na sarjeta e termina no meio da rua, adicionando cerca de 50 metros quadrados de espaço exclusivo para quem está a pé. Essa calçada improvisada permite a travessia em menos tempo em um ponto da via sem semáforos. A ideia foi trazida de Nova York.

Após duas semanas de pesquisas, que incluem entrevistas com os pedestres e avaliação do respeito dos motoristas à novidade, técnicos da CET decidirão se vão implantar o "puxadinho" azul em outros pontos da cidade. As próximas esquinas que devem recebê-lo são a da Rua Boa Vista com a Ladeira Porto Geral, a da Rua Quirino de Andrade com o Largo da Memória, ambas no centro, e a das Ruas Pedroso de Moraes e Morás, em Pinheiros, na zona oeste. Vias ao lado da Praça da Sé também podem ganhar a novidade.

Pedestres. "Não tinha reparado, mas, pensando bem, acho que vai facilitar um pouco a vida dos pedestres", disse a advogada Maria Matalobos, de 28 anos, ontem à tarde. O contador José Milani, de 62, criticou a iniciativa. "Acho um certo desperdício. É bem provável que esses cilindros sejam derrubados logo pelos carros e demorem para ser trocados", afirmou.

Esse é um dos aspectos que levam o engenheiro de tráfego Sergio Ejzenberg, mestre em transportes pela Universidade de São Paulo, a questionar a ideia. "À medida que os balizadores forem quebrados, a continuidade da área será perdida, expondo os pedestres." Além disso, diz, as calçadas devem ficar acima do nível da rua. "Assim, se um carro vem na direção da calçada, dependendo da velocidade e do ângulo, a guia pode jogá-lo de volta para a pista."

Ejzenberg tem dúvidas sobre se o "puxadinho" é amparado no Código de Trânsito Brasileiro. A CET informou que sim. "É como uma calçada e, se os veículos desrespeitarem, a gente pode enquadrar, com multa", diz Luiz de Carvalho Montans, gerente de segurança de trânsito da CET.

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