CET aceita rever ciclovia na zona sul

Técnicos vão fazer vistoria na Chácara Santo Antônio para verificar possíveis falhas na execução da obra e na escolha do trajeto

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

16 Agosto 2014 | 03h00

SÃO PAULO - A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aceitou vistoriar a recém-inaugurada ciclovia da Chácara Santo Antônio, na zona sul de São Paulo, para verificar possíveis falhas na execução da obra e na escolha do trajeto, contestado pelos moradores da região. O primeiro trecho da via exclusiva para bicicletas no bairro tem 2,4 km e foi instalado em área de uso misto, com predominância residencial.

Essa vistoria chegou a ser agendada para este sábado de manhã, mas foi adiada na noite desta sexta, por causa da inauguração de mais dois trechos para ciclistas. A possibilidade de revisão do trajeto foi aventada depois que um grupo de moradores conseguiu ser atendido pelo subprefeito de Santo Amaro, Valderci Machado, em reunião realizada no dia 7, na presença de engenheiros da CET e de representantes do conselho participativo e de segurança. 

 

A principal reclamação diz respeito à retirada de vagas de estacionamento para instalação da ciclovia. Em alguns casos, há queixas ainda que as ruas atingidas ficaram estreitas e, por isso, perigosas. A ciclovia da Chácara Santo Antônio passa pelas Ruas Alexandre Dumas, José Vicente Cavalheiro, Fernandes Moreira, Francisco de Morais e Elias Zarzur. A inauguração oficial ocorreu no dia 8. 

Escolha errada. Segundo a empresária Márcia Pompei, que participou da reunião um dia antes, os engenheiros da CET reconheceram que “houve falhas na escolha da rota exclusiva” e sinalizaram que pretendiam alterá-la. Mesmo assim, o trecho foi liberado pela companhia de tráfego.

“A falha, segundo os próprios engenheiros, foi na escolha da rota. A maior parte da ciclovia está na Rua Fernandes Moreira, que antes nem sequer era cogitada como adequada para uma ciclorrota (caminho apontado para ciclistas sem que haja sinalização no chão ou separação do restante do tráfego). A via é muito estreita e sempre alaga porque não tem bueiros”, diz Márcia. 

A empresária e outros moradores do bairro se organizaram e fizeram um abaixo-assinado para mostrar à Prefeitura o descontentamento com a forma como a ciclovia foi instalada, sem diálogo com a população. “Não fomos consultados em nenhum momento. A pintura foi feita em duas noites, a toque de caixa. Em seguida, colocaram a sinalização e inauguraram. Não somos contra a ciclovia. Apoiamos que ela seja deslocada para ruas vizinhas, como a Verbo Divino ou a Américo Brasiliense, que são mais largas e cruzam tanto a Avenida Santo Amaro quanto a Marginal do Pinheiros.”

 

 

Centro. A reclamação é a mesma feita por moradores e comerciantes do centro, onde, atualmente, está a maior parte da malha cicloviária entregue pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT). A região de Santa Cecília, por exemplo, já tem 6 km de vias exclusivas, de um total de 16,4 km. A intenção da Prefeitura é fechar o ano com 200 km e dobrar esse número até o fim de 2016.

No bairro central, a insatisfação dos moradores foi tanta que um grupo chegou a procurar a polícia para se queixar. Foi registrado um boletim de ocorrência para que a população tivesse os “direitos preservados”. A ideia foi forçar a Prefeitura a divulgar e debater os futuros trajetos. Depois disso, a Secretaria Municipal dos Transportes anunciou, em seu site, o pacote de obras previsto para o mês de agosto. 

Na semana passada, o secretário Jilmar Tatto (PT) chegou a sinalizar que poderia rever alguns trechos, após análise caso a caso. Até agora, porém, isso não aconteceu.

 

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