Cesare Battisti está confiante em julgamento a seu favor

Ex-ativista político italiano aguarda julgamento Supremo Tribunal Federal (STF), sobre pedido de extradição

Fabiana Marchezi, com Agência Brasil,

07 de setembro de 2009 | 21h57

O escritor e ex-ativista político italiano Cesare Battisti recebeu nesta segunda, 7, a visita de representantes de instituições ligadas aos direitos humanos, na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Aos visitantes, Battisti disse estar "tranquilo e confiante", à espera do julgamento de quarta-feira, 9, no Supremo Tribunal Federal (STF), quando será decidido se o país aceita ou não o pedido de extradição, feito pelo governo italiano.

 

Em 1993, Battisti foi condenado à prisão perpétua em seu país pela suposta autoria de quatro assassinatos ocorridos entre 1977 e 1979. Segundo a coordenadora da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) do Conselho Federal de Psicologia, Ana Luiza de Souza Castro - integrante do grupo que visitou o italiano na Papuda -, Battisti se disse esperançoso e preparado para o julgamento.

 

"Ele reiterou que a escolha por vir ao Brasil estava relacionada a uma avaliação pessoal de que o país já estava com a sua democracia consolidada, o que seria positivo para obter a condição de asilado político", disse a psicóloga.

 

"Não temos nenhuma dúvida de que se trata de um caso de exílio político, e nossa expectativa é de que a decisão do STF reflita o que já foi decidido em casos anteriores, de respeito da Corte aos direitos humanos", afirmou.

 

Para Ana Luiza, seria uma contradição o Brasil não conceder asilo a Battisti, "depois de ter feito o mesmo pelo ex-presidente do Paraguai Alfredo Stroessner", em 1989.

 

"Fiquei absolutamente certa da justeza dessa causa. Eu não o conhecia pessoalmente, e até então minha opinião era constituída apenas por leituras e considerações de outras pessoas. Agora, depois de conhecê-lo, estou convicta da causa e do quão necessário é não permitir que ele seja extraditado", argumentou Ana Luiza.

 

Segundo ela, as provas apresentadas contra Battisti na Itália "são todas questionáveis". "A Itália sequer assume publicamente que foi palco de luta armada nos anos 70, ou que, nessa época, foram realizadas prisões e assassinatos motivados politicamente", avaliou.

 

Em janeiro deste ano, o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu status de refugiado político ao italiano, sob a alegação de que ele não teve direito a ampla defesa no seu país de origem e de que um eventual retorno colocaria em risco a sua integridade física.

 

A decisão de Tarso, que contrariou o entendimento do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), foi duramente criticada por autoridades italianas, que definem Battisti como "terrorista".

Mais conteúdo sobre:
Cesare Battisti

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.